Mercado de petróleo começa a duvidar dos sinais de paz no Oriente Médio dados por Trump
Entenda oscilações no preço do petróleo ao longo da guerra e o olhar cético quando Trump anuncia fim do conflito
Estadão Conteúdo|Do Estadão Conteúdo
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A forma como os mercados reagem às declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a guerra com o Irã pode ter grandes efeitos sobre os preços. Às vezes, o preço do petróleo oscila instantaneamente em reação às suas palavras. Em outras, o mercado simplesmente ignora a situação.
Nos últimos dias, o mercado parece mais cético quando Trump diz que o conflito deve terminar em breve. Isso significa que ele pode ter mais dificuldade em derrubar os preços do petróleo simplesmente fazendo tais anúncios.

Suas declarações também ocorrem em meio à continuidade dos combates no Golfo, incluindo ataques à infraestrutura energética. O bloqueio aos navios-tanque, que transportam petróleo da região, também influencia as ações dos investidores.
Para entender essa mudança de comportamento do mercado, é preciso voltar duas semanas atrás, para segunda-feira (23), quando Trump anunciou em sua rede social, a Truth Social, uma pausa de cinco dias nos ataques à infraestrutura energética e o início de negociações com o Irã, inclusive que o Irã negou terem ocorrido.
Nesse dia, investidores reagiram rapidamente, fazendo com que o preço dos contratos futuros de petróleo caísse acentuadamente. A cotação do contrato de petróleo bruto Brent para maio, que estava acima de US$ 110 o barril, despencou para menos de US$ 100, depois do anúncio de Trump.
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A fala de Trump pareceu tranquilizar os investidores, dando a entender que a situação no Estreito de Ormuz, já obstruído para petroleiros, não pioraria. Os preços do petróleo geralmente caem quando a pressão sobre a oferta diminui.
A principal forma de pressão do Irã são os preços do petróleo, afirmou Adam Kobeissi, editor-chefe do Kobeissi Letter, um boletim informativo financeiro: “Enquanto os preços continuarem subindo, o presidente Trump continuará a proteger sua campanha militar divulgando essas manchetes para tentar conter o mercado”.
Perda de força
Desde então, porém, os contratos futuros de petróleo não reagiram na mesma medida a declarações semelhantes do presidente americano.
Em 26 de março, Trump anunciou uma pausa de dez dias nos ataques. Desta vez, os contratos futuros de petróleo, cotados a quase US$ 108 por barril, caíram brevemente para menos de US$ 105 — mas não tanto quanto quando Trump anunciou a pausa de cinco dias. E se recuperaram para perto do preço anterior (US$ 108 por barril) em poucos minutos.
Na segunda-feira seguinte (30), os contratos futuros de petróleo haviam retornado a preços semelhantes aos de antes de Trump falar sobre diplomacia na semana anterior. E o mercado agora parecia ignorar as declarações de Trump, nas quais ele frequentemente oscilava entre diplomacia e ameaças.
Naquela manhã, Trump anunciou que os Estados Unidos estavam em “discussões sérias” com o Irã sobre o fim da campanha militar americana, ao mesmo tempo em que ameaçava destruir a infraestrutura energética iraniana caso um acordo não fosse alcançado e o Estreito de Ormuz não fosse reaberto. O mercado permaneceu estável, com o preço futuro do barril de petróleo girando em torno de US$ 114.
A essa altura, os contratos futuros de petróleo já poderiam ter precificado o sinal de que a guerra não se intensificaria ainda mais.
Mas o comércio da commodity por meio do Estreito de Ormuz continuava essencialmente bloqueado, sem muitos indícios de melhora, apesar da sugestão do presidente dos Estados Unidos de que a guerra poderia terminar em breve.
Informações desencontradas
Na manhã de quarta-feira, 1º de abril, Trump publicou em seu perfil na Truth Social que o Irã havia pedido um cessar-fogo, embora o principal diplomata iraniano tenha negado anteriormente que negociações estivessem em andamento.
Na mesma publicação, Trump também escreveu: “Até lá, vamos aniquilar o Irã”. Mais uma vez, os preços do petróleo permaneceram estáveis, girando em torno de US$ 100 por barril.
Mas naquela noite, em seu pronunciamento na TV transmitido à nação, Trump prometeu continuar bombardeando o Irã, sem, contudo, oferecer novas informações sobre quando esperava que a guerra terminasse.
Isso chamou a atenção do mercado: enquanto Trump discursava, o preço do petróleo subiu. Saiu de US$ 100 o barril para perto de US$ 105.
Após essas oscilações, o preço do petróleo voltou a se aproximar do nível anterior ao anúncio das negociações e da suspensão dos ataques por Trump, há duas semanas. Fechou a US$ 109 por barril na quinta-feira (2), uma alta de mais de 50% desde o início da guerra.
Nos Estados Unidos, o aumento do petróleo puxou o preço da gasolina, que atingiu US$ 4,10 por galão no sábado (3), antes US$ 2,98 por galão, que era o preço médio antes da guerra.






