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Mercado de petróleo começa a duvidar dos sinais de paz no Oriente Médio dados por Trump

Entenda oscilações no preço do petróleo ao longo da guerra e o olhar cético quando Trump anuncia fim do conflito

Estadão Conteúdo|Do Estadão Conteúdo

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O mercado de petróleo mostra ceticismo em relação às declarações de Donald Trump sobre o fim do conflito com o Irã.
  • As falas não tiveram o mesmo impacto do que antes, com os preços do petróleo ignorando anúncios de pausas nos ataques.
  • Apesar das promessas de fim da guerra, a situação permanece tensa, com bloqueios na infraestrutura de transporte de petróleo.
  • Os preços do petróleo têm registrado oscilações, culminando em uma alta que afetou também o preço da gasolina nos Estados Unidos.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

A forma como os mercados reagem às declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a guerra com o Irã pode ter grandes efeitos sobre os preços. Às vezes, o preço do petróleo oscila instantaneamente em reação às suas palavras. Em outras, o mercado simplesmente ignora a situação.

Nos últimos dias, o mercado parece mais cético quando Trump diz que o conflito deve terminar em breve. Isso significa que ele pode ter mais dificuldade em derrubar os preços do petróleo simplesmente fazendo tais anúncios.


Preço do barril de petróleo aumenta devido às tensões no Oriente Médio
Anúncios de Trump podem dificultar queda nos preços do petróleo Reprodução/Record News

Suas declarações também ocorrem em meio à continuidade dos combates no Golfo, incluindo ataques à infraestrutura energética. O bloqueio aos navios-tanque, que transportam petróleo da região, também influencia as ações dos investidores.

Para entender essa mudança de comportamento do mercado, é preciso voltar duas semanas atrás, para segunda-feira (23), quando Trump anunciou em sua rede social, a Truth Social, uma pausa de cinco dias nos ataques à infraestrutura energética e o início de negociações com o Irã, inclusive que o Irã negou terem ocorrido.


Nesse dia, investidores reagiram rapidamente, fazendo com que o preço dos contratos futuros de petróleo caísse acentuadamente. A cotação do contrato de petróleo bruto Brent para maio, que estava acima de US$ 110 o barril, despencou para menos de US$ 100, depois do anúncio de Trump.

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A fala de Trump pareceu tranquilizar os investidores, dando a entender que a situação no Estreito de Ormuz, já obstruído para petroleiros, não pioraria. Os preços do petróleo geralmente caem quando a pressão sobre a oferta diminui.


A principal forma de pressão do Irã são os preços do petróleo, afirmou Adam Kobeissi, editor-chefe do Kobeissi Letter, um boletim informativo financeiro: “Enquanto os preços continuarem subindo, o presidente Trump continuará a proteger sua campanha militar divulgando essas manchetes para tentar conter o mercado”.

Perda de força

Desde então, porém, os contratos futuros de petróleo não reagiram na mesma medida a declarações semelhantes do presidente americano.


Em 26 de março, Trump anunciou uma pausa de dez dias nos ataques. Desta vez, os contratos futuros de petróleo, cotados a quase US$ 108 por barril, caíram brevemente para menos de US$ 105 — mas não tanto quanto quando Trump anunciou a pausa de cinco dias. E se recuperaram para perto do preço anterior (US$ 108 por barril) em poucos minutos.

Na segunda-feira seguinte (30), os contratos futuros de petróleo haviam retornado a preços semelhantes aos de antes de Trump falar sobre diplomacia na semana anterior. E o mercado agora parecia ignorar as declarações de Trump, nas quais ele frequentemente oscilava entre diplomacia e ameaças.

Naquela manhã, Trump anunciou que os Estados Unidos estavam em “discussões sérias” com o Irã sobre o fim da campanha militar americana, ao mesmo tempo em que ameaçava destruir a infraestrutura energética iraniana caso um acordo não fosse alcançado e o Estreito de Ormuz não fosse reaberto. O mercado permaneceu estável, com o preço futuro do barril de petróleo girando em torno de US$ 114.

A essa altura, os contratos futuros de petróleo já poderiam ter precificado o sinal de que a guerra não se intensificaria ainda mais.

Mas o comércio da commodity por meio do Estreito de Ormuz continuava essencialmente bloqueado, sem muitos indícios de melhora, apesar da sugestão do presidente dos Estados Unidos de que a guerra poderia terminar em breve.

Informações desencontradas

Na manhã de quarta-feira, 1º de abril, Trump publicou em seu perfil na Truth Social que o Irã havia pedido um cessar-fogo, embora o principal diplomata iraniano tenha negado anteriormente que negociações estivessem em andamento.

Na mesma publicação, Trump também escreveu: “Até lá, vamos aniquilar o Irã”. Mais uma vez, os preços do petróleo permaneceram estáveis, girando em torno de US$ 100 por barril.

Mas naquela noite, em seu pronunciamento na TV transmitido à nação, Trump prometeu continuar bombardeando o Irã, sem, contudo, oferecer novas informações sobre quando esperava que a guerra terminasse.

Isso chamou a atenção do mercado: enquanto Trump discursava, o preço do petróleo subiu. Saiu de US$ 100 o barril para perto de US$ 105.

Após essas oscilações, o preço do petróleo voltou a se aproximar do nível anterior ao anúncio das negociações e da suspensão dos ataques por Trump, há duas semanas. Fechou a US$ 109 por barril na quinta-feira (2), uma alta de mais de 50% desde o início da guerra.

Nos Estados Unidos, o aumento do petróleo puxou o preço da gasolina, que atingiu US$ 4,10 por galão no sábado (3), antes US$ 2,98 por galão, que era o preço médio antes da guerra.

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