Como as pirâmides foram construídas? Simulação 3D traz nova resposta
Modelo 3D sugere que rampas integradas podem explicar construção da pirâmide
Fala Ciência|Do R7

A construção da Grande Pirâmide de Gizé, um dos maiores símbolos da engenharia antiga, sempre despertou curiosidade e debate. Agora, um estudo publicado na revista npj Heritage Science propõe uma explicação inovadora baseada em simulações 3D, sugerindo que a estrutura pode ter sido erguida com rampas integradas às suas próprias bordas.
Essa abordagem desafia teorias clássicas que defendem o uso de rampas externas gigantes ou passagens internas em espiral. Em vez disso, o novo modelo aponta para um sistema mais eficiente, dinâmico e adaptável ao longo da construção. Entre os principais pontos da hipótese, destacam-se:
Engenharia inteligente em vez de força bruta
A pirâmide atribuída ao faraó Quéops possui cerca de 2,3 milhões de blocos de pedra, o que exige uma logística extremamente eficiente. Nesse sentido, o modelo de rampas integradas resolve um dos maiores desafios: manter um fluxo constante de transporte e posicionamento dos blocos.
Diferentemente de uma única rampa, que poderia se tornar um gargalo, o sistema proposto distribui o trabalho em vários caminhos. Isso permite que diferentes grupos atuem simultaneamente, aumentando a produtividade sem comprometer a estabilidade da estrutura.
Além disso, a possibilidade de adaptar ou reposicionar essas rampas ao longo do processo torna o método mais flexível e sustentável do ponto de vista construtivo.
Evidências que reforçam a hipótese

Embora seja baseado em simulações, o modelo encontra suporte em evidências arqueológicas. Registros de antigas pedreiras no Egito mostram estruturas de transporte que indicam o uso de sistemas inclinados com técnicas de tração.
Outro ponto relevante é a existência de documentos históricos que descrevem o transporte de materiais pelo rio Nilo, evidenciando uma logística altamente organizada. Esses elementos reforçam a ideia de que os egípcios dominavam técnicas avançadas de engenharia muito além do que se imaginava.
Além disso, estudos modernos que analisam o interior da pirâmide identificaram cavidades que podem estar relacionadas a esses possíveis caminhos internos ou laterais.
Uma nova visão sobre a construção das pirâmides
O modelo também propõe soluções para o transporte de blocos mais pesados, como os de granito utilizados em câmaras internas. Nesse caso, seriam usadas rampas menores e temporárias, instaladas em níveis intermediários e reutilizadas conforme necessário.
Consequentemente, a construção deixaria de ser vista como um processo linear e passaria a ser compreendida como uma operação altamente coordenada, com múltiplas frentes de trabalho atuando simultaneamente.
Desse jeito, essa nova hipótese reforça que a construção da Pirâmide de Gizé não dependeu apenas de mão de obra intensa, mas de um planejamento sofisticado e estratégias engenhosas. Assim, a tecnologia moderna, por meio de simulações digitais, continua revelando que o passado pode ter sido muito mais avançado do que imaginamos.














