Estudo revela ligação entre psicotrópicos, peso e risco cardiovascular elevado
Pesquisa com quase 500 mil pessoas investiga como psicotrópicos, estilo de vida e genética influenciam peso e risco cardiovascular
Fala Ciência|Do R7

O uso de medicamentos psicotrópicos é essencial no tratamento de diversos transtornos mentais, mas seus efeitos no organismo vão além do sistema nervoso. Um grande estudo publicado na revista Nature Mental Health (de Boer et al., 2026) analisou como esses medicamentos, combinados ao estilo de vida e fatores genéticos, se relacionam com o índice de massa corporal (IMC) e o risco de doenças cardiovasculares.
A pesquisa avaliou quase 500 mil participantes do UK Biobank, oferecendo uma das análises mais amplas já realizadas sobre o tema.
Como medicamentos e estilo de vida interagem no corpo
Os resultados mostraram que o uso de psicotrópicos está associado a um aumento discreto, porém consistente, no IMC. Esse efeito se torna mais evidente em pessoas que utilizam múltiplos medicamentos psiquiátricos ao mesmo tempo, em comparação com quem usa apenas um.
Além disso, o estudo destacou um ponto essencial: o impacto não depende apenas dos medicamentos. O estilo de vida também desempenha papel decisivo.
Entre os principais fatores observados estão:
Quando esses elementos se somam ao uso de psicotrópicos, o risco de doenças cardiovasculares aumenta de forma significativa.
Genética e comportamento trabalhando juntos no risco cardíaco
Outro ponto importante analisado foi o risco poligênico para IMC elevado, que representa a predisposição genética ao ganho de peso.
Os dados indicam que pessoas com maior predisposição genética, somada a hábitos de vida menos saudáveis, apresentam:
Em cenários extremos, o risco cardiovascular foi mais de três vezes maior em comparação com indivíduos com genética favorável e estilo de vida saudável.
Um achado que muda a interpretação do risco

Um resultado inesperado chamou atenção: entre pessoas com diagnóstico psiquiátrico, o uso de psicotrópicos não mostrou aumento adicional no risco de doenças cardiovasculares quando comparado àquelas que não utilizavam esses medicamentos.
Esse dado sugere que o quadro clínico de base e o contexto geral de saúde podem ter papel tão importante quanto o próprio tratamento medicamentoso.
O que isso significa para a prática clínica
Os pesquisadores destacam que não se trata de abandonar o uso de psicotrópicos, mas sim de entender o cenário completo do paciente. O estudo aponta que o risco cardiovascular é resultado de uma combinação de fatores.
Entre os principais pontos de atenção estão:
Uma visão mais integrada da saúde mental e física
A pesquisa mostra que saúde mental e saúde cardiovascular estão profundamente conectadas. O impacto não vem de um único fator, mas da interação entre medicação, genética e estilo de vida.
Essa abordagem mais ampla ajuda a compreender por que algumas pessoas desenvolvem complicações metabólicas enquanto outras não, mesmo usando tratamentos semelhantes.














