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Parasita comum em cães pode impactar a saúde ocular de humanos, diz estudo

Pesquisa identifica relação entre exposição a Toxocara e alterações oculares em cães e tutores

Fala Ciência

Fala Ciência|Do R7

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Larvas de Toxocara canis vistas em microscopia, associadas à toxocaríase. (Foto: Getty Images via Canva) Fala Ciência

A relação entre a saúde de animais de estimação e de seus tutores ganhou um novo capítulo com um estudo recente que investigou a toxocaríase, uma zoonose parasitária ainda subestimada, mas presente em diversas regiões do mundo. A pesquisa publicada na revista científica Scientific Reports, conduzida por Mariana Bolzani Bach em 24 de fevereiro de 2026, analisou simultaneamente cães e seus tutores em uma área litorânea do sul do Brasil.

O objetivo foi entender melhor como a exposição ao parasita Toxocara spp. pode se manifestar tanto em humanos quanto em animais, especialmente em aspectos oftalmológicos.


Um cenário de exposição compartilhada entre humanos e cães

A pesquisa avaliou mais de 300 tutores e mais de 200 cães. Os resultados chamaram atenção para a presença do parasita e suas possíveis consequências silenciosas.


Entre os principais achados:

32,75% dos tutores apresentaram anticorpos IgG anti-Toxocara
• Apenas uma pequena fração dos cães apresentou ovos do parasita nas fezes ou pelos
• A exposição ambiental foi considerada fator central na disseminação


Além disso, fatores socioeconômicos também influenciaram os resultados, já que a renda familiar esteve associada ao risco de soropositividade.

Outro ponto importante foi a relação com hábitos de higiene e ambiente. O uso de água não tratada aumentou significativamente a chance de detecção do parasita nos cães, enquanto acesso controlado ao ambiente externo e determinadas raças apresentaram efeito protetor.


Olhos como indicador silencioso da infecção

Infecção por parasita pode causar lesões oculares. (Foto: Getty Images via Canva) Fala Ciência

Um dos aspectos mais relevantes do estudo foi a avaliação oftalmológica. Embora a maioria dos casos humanos não tenha apresentado sintomas graves, alterações oculares foram observadas tanto em pessoas quanto em cães.

Nos tutores, apenas um caso apresentou sinais altamente sugestivos de toxocaríase ocular. No entanto, outras alterações compatíveis com lesões antigas foram identificadas, e parte desses indivíduos também apresentava soropositividade.

Nos cães, o cenário foi mais expressivo:

86,5% apresentaram alguma alteração oftálmica
• Lesões crônicas inespecíficas foram as mais comuns
• Casos de ceratopatia em manchas da Flórida também foram registrados
• Alterações na retina apareceram em parte dos animais

Esses achados sugerem que a exposição ao parasita pode estar associada a mudanças oculares persistentes, mesmo quando não há sintomas evidentes.

A conexão invisível entre ambiente, pets e saúde humana

O estudo destaca que humanos e cães compartilham o mesmo ambiente, o que facilita a exposição ao Toxocara spp.. Essa convivência próxima, especialmente em regiões litorâneas com maior presença do parasita, pode explicar a ocorrência simultânea de alterações em ambos os grupos.

Entre os fatores de risco mais relevantes observados estão:

• Contato com ambientes contaminados
• Consumo de água não tratada
• Condições socioeconômicas desfavoráveis
• Higiene ambiental insuficiente

Ao mesmo tempo, o acesso controlado ao ambiente externo dos cães e certos cuidados de manejo parecem reduzir a exposição.

Uma abordagem integrada para compreender a toxocaríase

Os resultados reforçam a importância da abordagem Uma Só Saúde (One Health), que considera a conexão direta entre saúde humana, animal e ambiental. A pesquisa publicada por Mariana Bolzani Bach mostra que doenças parasitárias como a toxocaríase não devem ser analisadas isoladamente.

Em vez disso, a interpretação dos dados clínicos e ambientais precisa considerar o ecossistema compartilhado entre tutores e animais.

Isso se torna ainda mais relevante em cenários urbanos e costeiros, onde a circulação de parasitas pode ocorrer de forma silenciosa.

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