Acusados do Carandiru dizem ter ouvido disparos antes de atirar
Internacional|Do R7
São Paulo, 19 abr (EFE).- Quatro policiais acusados do massacre do Carandiru, no qual 111 presos morreram em São Paulo em 1992, reconheceram nesta sexta-feira terem feito disparos dentro da penitenciária, mas justificaram sua ação por estarem em um ambiente hostil e terem ouvido tiros previamente. O quinto dia do julgamento, que na fase atual processa 26 policiais acusados de matarem 15 detentos em 2 de outubro de 1992, se desenvolveu com o interrogatório do juiz e do Ministério Público. Durante a sessão, quatro dos acusados responderam às perguntas, enquanto os demais preferiram não dar declarações, precisou o Tribunal de Justiça de São Paulo em comunicado. O primeiro acusado a ser interrogado foi o então capitão Ronaldo Ribeiro dos Santos, que assegurou que a ordem de entrar na prisão foi executada pelo coronel da Polícia Militar que dirigiu a operação, o falecido Ubiratan Guimarães. Além disso, ele disse que ouviu disparos no corredor do segundo andar do pavilhão 9, onde aconteceu o massacre, e acrescentou que o uso de armas de fogo por parte da Polícia foi "a única alternativa" nessa situação. "Nessas condições, a operação foi organizada e necessária", precisou Santos, citado pela estatal "Agência Brasil". Posteriormente, foi ouvido o tenente Aércio Dornelas Santos, que disse que os agentes encontraram o pavilhão em "penumbra e baixa luminosidade" e que os policiais tiveram de responder aos tiros para tomar o controle da situação. Dornelas Santos reconheceu ter disparado três ou quatro vezes, mas não pôde precisar se os tiros causaram vítimas. Ele também disse que em seu batalhão havia quatro efetivos feridos, alguns deles com marcas de bala. "Não havia outra alternativa que o uso de armas de fogo. Era um ambiente extremamente hostil", acrescentou. Também foram interrogados o sargento Marcos Antônio de Medeiros e o soldado Marcos Ricardo Polinato. Após os interrogatórios, o juiz José Augusto Nardy Marzagão suspendeu a sessão, que será retomada neste sábado com as alegações da defesa e da acusação. Na terça-feira passada, prestou declaração no julgamento o governador de São Paulo em 1992, Luiz Antônio Fleury Filho, que disse ao tribunal que a ordem de entrada na penitenciária "foi absolutamente necessária e legítima". No total, a Justiça processará 79 policiais pela morte dos 111 presos em um julgamento que terá quatro fases. O coronel da Polícia Militar que dirigiu a operação, Ubiratan Guimarães, foi condenado em 2001 a 632 anos de prisão, mas nunca foi preso, já que foi absolvido em uma apelação em 2006. Já o então diretor do Carandiru, José Ismael Pedrosa, foi assassinado a tiros em 2005, um delito que as autoridades atribuíram à organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), que nasceu nos presídios de São Paulo depois do massacre. EFE mb/pa










