Apoio dos EUA à Venezuela não é cooperação, mas pagamento de dívida, diz especialista
Falta de resposta após o terremoto intensifica críticas ao governo local e reacende discussões sobre responsabilidade internacional diante da crise humanitária
Internacional|Do R7, com RECORD NEWS
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A Venezuela enfrenta uma crise grave após ser atingida por terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 na escala Richter. Com mais de 50 mil desaparecidos, a população tem se queixado da falta de apoio do governo nas buscas por sobreviventes. São comuns cenas de voluntários e familiares realizando esse trabalho sozinhos. Delcy Rodríguez, que assumiu o poder após a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, é criticada pela demora na resposta à tragédia.
Priscila Caneparo, professora de Direito e Relações Internacionais, observa que a Venezuela não está preparada para enfrentar catástrofes dessa magnitude, diferente de países como Chile e Estados Unidos, que possuem estruturas específicas para lidar com terremotos e outros desastres naturais. Segundo ela, a situação afeta a legitimidade do governo diante da população. “Ainda que a população estivesse muito insatisfeita com a figura do Maduro, o que eles observam é um aprofundamento das desigualdades, inclusive um aprofundamento da situação catastrófica em termos de desenvolvimento socioeconômico, em termos de pobreza, que assola o país”, afirma.

A tragédia tem gerado comparações com o Haiti, que também foi atingido por um terremoto catastrófico de magnitude 7.0 em 2010. No entanto, Caneparo acredita que a realidade venezuelana é diferente devido às reservas de petróleo do país. A especialista destaca que a Venezuela concentra a maior reserva de petróleo do mundo, fator que desperta maior interesse internacional. Segundo ela, isso faz com que outros países se preocupem mais com a reconstrução e a estabilidade venezuelana, visando também a possibilidade de exploração dos recursos petrolíferos.
Os danos econômicos são estimados em R$ 34,5 bilhões, o equivalente a cerca de 7% do PIB venezuelano. Diante disso, a ajuda externa é considerada essencial. Apesar da suspensão temporária das sanções e dos anúncios de cooperação por parte dos Estados Unidos, Caneparo avalia que o apoio oferecido ainda é insuficiente diante da dimensão da crise.
“A gente precisa lembrar que os Estados Unidos têm uma dívida; isso não é cooperação, mas sim pagamento do que devem efetivamente da exploração do petróleo venezuelano ao governo venezuelano”, destaca.
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Apesar das promessas feitas após a deposição de Maduro, o pagamento dos royalties da exploração petrolífera por empresas norte-americanas ainda não se concretizou. A situação alimenta críticas sobre os reais benefícios dessa cooperação e o debate sobre o papel da comunidade internacional no apoio financeiro e político à recuperação da Venezuela.
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