Logo R7.com
RecordPlus

A ferramenta mais usada por este artista não é um pincel, é um par de tênis

Seu trabalho inclui detalhes únicos e anedotas das cidades, como Washington, D.C. e Pequim

Internacional|Lilit Marcus e Justin Robertson, da CNN Internacional

  • Google News

Adicione como fonte preferencial no Google

Opens in new window

LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O artista britânico Gareth Fuller cria "mapas mentais" que representam suas experiências ao explorar cidades a pé, como Washington, D.C. e Pequim.
  • Fuller considera seus mapas uma "geografia pessoal" que incorpora anedotas, conversas e experiências humanas, ao invés de representações geográficas precisas.
  • Seu trabalho é influenciado por sua infância no País de Gales e suas experiências em cidades como Londres e Pequim, onde explorou a cultura local e desenvolveu seu estilo artístico.
  • Fuller apresentará sua exposição "Walking the World: Gareth Fuller’s Art of Place" na Universidade Stony Brook, em Nova York, de 9 de setembro a 18 de dezembro.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Fuller acredita que seus desenhos trazem de volta a sensação de descoberta, perdida na era digital CNN via CNN Newsource

No canto superior, há uma Estrela de Davi muito pequena. No lado centro-direito, o número 51.

Perto do centro, um pentágono. Aperte os olhos e você poderá notar uma série minúscula de notas musicais no meio de uma grade movimentada. E, espere, aquele é o Capitólio dos EUA sem sua cúpula?


O artista britânico Gareth Fuller não faz o tipo de mapa que você encontraria em um atlas. Eles não são feitos em escala e não incluem nomes de ruas.

Veja Também

Ele os chama de “mapas mentais”, e eles são suas representações artísticas do tempo gasto caminhando e explorando cidades — neste caso, Washington, D.C.


Em uma era de Google Maps, com muitas pessoas usando seus telefones para navegar por novos lugares, Fuller acredita que as pessoas perderam a sensação de descoberta.

É por isso que ele começou a fazer esses desenhos em grande escala com caneta e tinta, que ele chama de sua “geografia pessoal”.


Em seu trabalho sobre DC, há um logotipo pequenino da PBS (Serviço Público de Radiodifusão), porque a emissora tem sua sede na capital do país.

Há também um padrão inspirado nos tetos de blocos de concreto vazados, característicos do sistema de metrô de DC, flores para representar o Arboreto Nacional e o rio Potomac cortando tudo isso. Aquele número 51? É uma homenagem ao movimento que quer transformar o Distrito de Colúmbia no 51º estado.


Você poderia olhar para esses mapas mentais o dia todo e ainda assim não notar cada detalhe — o que é exatamente como Fuller quer. Para cada um de seus desenhos, ele passa meses ou até anos explorando cidades o máximo que pode a pé.

E, explica ele, os mapas não incorporam apenas o que ele vê – eles se baseiam em anedotas, conversas aleatórias e experiências humanas que acontecem ao longo do caminho. Eles também não são muito úteis se você precisar de um mapa de verdade – o Pentágono, por exemplo, fica nos subúrbios da Virgínia, não em DC propriamente dita.

“Os mapas são em grande parte uma espécie de retrato emocional do lugar”, diz Fuller. “É um verdadeiro privilégio ser um artista nesse sentido. As pessoas são bastante receptivas para contar sobre onde moram, o que é importante para elas, suas histórias pessoais e de onde vieram. A conversa pode tomar todos os tipos de rumo.”

Fuller diz que seu amor pela orientação começou na infância. Criado na zona rural do País de Gales, ele entrou para os Escoteiros e aprendeu a usar uma bússola e uma lanterna para encontrar o caminho de volta para casa sem um mapa.

Mudando-se para Londres quando adulto, ele passou a conhecer o lugar frenético e dinâmico a pé. Conforme se interessava por arte, começou a ver seus rabiscos de lugares como uma “resolução de problemas com tinta e linhas”.

Mas foi a mudança para a China que fez o trabalho de Fuller realmente florescer.

Um dos amigos de Fuller estava estudando em Pequim, então Fuller arrumou sua bicicleta, ficou no apartamento do amigo e tentou aprender mandarim.

O resultado do ano passado, indo e vindo na capital, inspirou seu maior trabalho até hoje. O mapa de Pequim está repleto de fontes, pagodes, usinas elétricas, guindastes de construção e flores.

Há hutongs, as famosas ruazinhas onde a vida cotidiana acontece em Pequim, ao lado de mega-arranha-céus.

O motivo central é um pedaço da Grande Muralha, serpenteando pelo mapa como uma cobra, com bicicletas no topo – intencional, já que Fuller conheceu a cidade enquanto andava sobre duas rodas.

“Vir de um lugar como Londres e depois ir para um lugar como a China, e ver uma cidade chinesa funcionar, e no auge de ideias bastante modernas em termos de cidade inteligente e coisas assim, e era apenas o aspecto cultural. Eu fui simplesmente jogado de cabeça para baixo. Não quero de forma alguma fetichizar a cultura chinesa, mas, como ocidental, foi um enorme aprendizado. Foi empolgante.”

A pessoa mais afetada pelas obras de arte de Fuller é, claro, o próprio Fuller. Ele se mudou permanentemente para a China, casou-se e tornou-se pai.

Seus trabalhos atuais em andamento são vistos tanto pela perspectiva de uma criança pequena quanto pela de um homem adulto.

Se você tentar usar o “Pequim” de Fuller como um mapa para Pequim, ele não ajudará você a se deslocar. Mas, se você o usar como um caminho emocional para entender um lugar grande, complicado e dinâmico, ele pode ajudar você a conhecer a cidade como uma amiga.

Talvez você encontre uma cidade inteiramente diferente daquela que ele visitou, uma cidade personalizada para seus próprios encontros aleatórios e descobertas acidentais.

“Nós sempre fizemos isso, como humanos”, diz Fuller. “Nós navegamos por vilas, cidades, aldeias, e conversamos, buscamos abrigo uns com os outros e confiamos.”

O trabalho de Fuller em breve chegará aos EUA para uma exposição na Universidade Stony Brook, no norte do estado de Nova York. Walking the World: Gareth Fuller’s Art of Place ficará em cartaz de 9 de setembro a 18 de dezembro na Skylight Gallery da faculdade.

Search Box

Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da RECORD, no WhatsApp

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.