Associação afirma que polícia causa 74% das agressões a jornalistas no Brasil
Internacional|Do R7
(Corrige título e acrescenta novas informações). São Paulo, 21 out (EFE).- A maior parte das agressões realizadas a jornalistas desde o último mês de junho no Brasil, 74% delas para ser exato, foram realizadas por policiais, segundo a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji). Das 96 agressões registradas no Brasil durante os últimos quatro meses e meio, 25 foram realizadas por manifestantes, enquanto os 71 casos restantes foram protagonizados por policiais ou agentes da Força Nacional, afirmou a Abraji em comunicado. A lista contabiliza as quatro agressões efetuadas hoje contra jornalistas durante os protestos lugar no Rio de Janeiro por ocasião do leilão do Campo de Libra. Durante o Seminário Internacional sobre Violência contra Jornalistas, organizado pelo Instituto Vladimir Herzog, que aconteceu hoje em São Paulo, representantes de quatro associações de jornalistas e empresas de comunicação condenaram as agressões a profissionais em todo o país desde o mês de junho. De acordo com o diretor da Associação Brasileira de Empresas de Rádio e Televisão (Abert), Théo Rochefort, as ações demonstram a incompatibilidade dos manifestantes "radicais" de "viver em democracia". "Existem mais de 500 emissoras de televisão em todo o país. Só de noticiário nacional, há 14 programas. Se estão insatisfeitos com a cobertura atual, é simples: mudem de canal", afirmou Rochefort. Já a Abraji qualificou de "inaceitável" as quase 100 agressões registradas em pouco mais de quatro meses no Brasil e assegurou que o índice "não é compatível com a democracia e fere o direito da sociedade à informação".. Para o diretor da Associação Nacional de Editores de Revistas (Aner), Lourival Santos, é preciso desvincular o ataque aos jornalistas dos ataques aos proprietários dos meios de comunicação. "O jornalismo não é a manifestação da vontade do dono de uma empresa, mas é a união entre a liberdade de expressão e a liberdade pública de acesso aos meios de comunicação", defendeu Santos. No seminário também esteve presente o ex-secretário nacional de Direitos Humanos, José Gregori, que alertou para a necessidade de analisar as causas que provocaram o aumento da violência contra os meios de comunicação. "Em que momento ocorreu algo para que a sociedade civil não tenha o respeito pela importância da imprensa no processo político?", questionou Gregori. EFE ass/rsd







