EUA atacam Irã de norte a sul após Trump ameaçar ‘punição severa’ a Teerã e houthis
Forças Armadas iranianas responderam atacando bases norte-americanas em países árabes vizinhos e alertando a população local
Internacional|Da Reuters
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Mísseis dos Estados Unidos atingiram alvos em todo o Irã, chegando até a costa do mar Cáspio, nesta sexta-feira (24), depois que o presidente norte-americano, Donald Trump, prometeu uma “punição militar severa” a Teerã e seus aliados houthis no Iêmen por estenderem a guerra no Oriente Médio a um segundo importante ponto de estrangulamento marítimo: a foz do mar Vermelho.
Duas semanas após o colapso de uma trégua provisória destinada a pôr fim à guerra, as Forças Armadas iranianas responderam atacando bases norte-americanas em países árabes vizinhos e alertando a população local de que poderiam atingir edifícios não militares utilizados por pessoal norte-americano.
O Exército iraniano afirmou que as ameaças de Trump apenas reforçaram sua determinação.
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Os houthis, que controlam o norte e o oeste do Iêmen, anunciaram esta semana a imposição de um bloqueio naval à Arábia Saudita, país que tem desviado milhões de barris de petróleo por dia por meio de um oleoduto para o mar Vermelho a fim de contornar o bloqueio quase total imposto pelo Irã no estreito de Ormuz.
O estreito é o epicentro de uma guerra que já matou milhares de pessoas em quase cinco meses, alimentou a inflação global e avivou os temores de uma recessão econômica.
Ataques a petroleiros
Os combatentes houthis atacaram dois petroleiros sauditas na quinta-feira (23) no estreito de Bab el-Mandeb, no mar Vermelho, elevando os preços do petróleo em 7% e ultrapassando a marca de US$ 100 por barril pela primeira vez desde maio.
Embora os futuros do Brent tenham recuado quase 3%, para menos de US$ 98 nesta sexta-feira, o contrato continuava a caminho de um avanço de mais de 10% nesta semana.
Os ataques forçaram vários outros petroleiros a dar meia-volta e seguir para o norte pelo canal de Suez, possivelmente utilizando uma rota muito mais longa e cara para chegar aos clientes asiáticos, contornando a África.
Os custos de seguro de transporte marítimo pela parte sul do mar Vermelho dobraram para algumas empresas na quinta-feira, segundo fontes.
Ainda assim, metade dos 18 navios que saíram de Bab el-Mandeb na quinta-feira transportava petróleo bruto, incluindo dois superpetroleiros chineses.
O número de petroleiros que cruzaram o estreito de Ormuz caiu para apenas um na quinta-feira, o menor desde 7 de maio.
Trump responsabiliza Irã por ataques
Trump escreveu nas redes sociais que responsabilizaria o Irã por quaisquer novos ataques dos houthis, “e uma punição militar severa será infligida ao Irã e, é claro, aos próprios houthis”.
Ele disse à Axios que está considerando retomar grandes operações de combate no Irã e que está prestes a tomar uma decisão.
“Eles ainda não sofreram o suficiente”, disse Trump, segundo a agência de notícias norte-americana.
Trump também disse nas redes sociais que qualquer dano a navios de carga seria pago com dinheiro iraniano, referindo-se aos ativos iranianos congelados mantidos pelos Estados Unidos, mas sem especificar como.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, respondeu com uma advertência no X, dizendo que os ativos de ninguém estariam a salvo uma vez que os governos normalizassem tal confisco. “O caos que se seguirá não será nada agradável nem pacífico.”
A mídia estatal iraniana informou que mísseis atingiram a Ilha de Qeshm, no estreito de Ormuz.
Em um exemplo de como as interrupções no transporte marítimo causadas pela guerra afetam outras nações, a Coca-Cola aumentou os preços da Diet Coke na Índia — que é vendida predominantemente em latas de alumínio — em mais de 10%, à medida que o conflito sufoca sua cadeia de suprimentos, segundo fontes.
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