Autor de ataque a mesquita na Noruega tinha câmera no capacete
Desde maio o serviço de inteligência detectou uma evolução negativa no ambiente de extrema-direita norueguês
Internacional|Da EFE

O jovem que abriu fogo em uma mesquita de Baerum, na Noruega, tinha uma câmera instalada no capacete, com a qual filmou o ataque, informou polícia norueguesa nesta segunda-feira (12).
Em entrevista coletiva, a polícia se negou a comentar o conteúdo da gravação, mas disse que obteve "provas importantes" do ataque cometido pelo jovem de 21 anos que está preso preventivamente por quatro semanas, sendo que as duas primeiras em regime de isolamento.
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Segundo a imprensa local, antes do tiroteio, o atirador publicou nas redes sociais uma mensagem de apoio ao autor dos ataques de março contra duas mesquitas em Christchurch, na Nova Zelândia, nos quais 50 pessoas morreram. O massacre foi transmitido ao vivo com uma câmera que estava no capacete do atirador.
O homem é suspeito do homicídio da meia-irmã — quatro anos mais nova, de origem chinesa e adotada —, de tentativa de homicídio e de terrorismo, pelo ataque na mesquita, que não deixou feridos.
A polícia acredita que o atirador matou primeiro a jovem no apartamento que ambos compartilhavam em Baerum e depois se deslocou de carro até a mesquita Al Noor, no mesmo município. Ao chegar ao centro religioso, quebrou o vidro de uma porta lateral e começou a disparar. O atirador foi rendido pelas pessoas que estavam no interior da mesquita e retido até a chegada da polícia.
O suspeito rejeitou as acusações de homicídio e se negou a prestar depoimento à polícia, apenas pediu para ficar em liberdade, segundo revelou a advogada de defesa.
Com o rosto cheio marcas desde o incidente na mesquita, o jovem sorriu ao ser fotografado pela imprensa enquanto chegava ao tribunal.
Inicialmente, a polícia norueguesa o acusou por homicídio e tentativa de homicídio, mas no domingo anunciou que investigava o tiroteio como um episódio de terrorismo e decidiu incluir essa acusação.
Natural de Baerum, o acusado pertence a uma família com boa situação financeira, morava com a meia-irmã e carece de antecedentes criminais, mas foi alvo da polícia há um ano devido à atividade na internet, segundo informou nesta segunda-feira (12) o chefe do serviço de inteligência da Noruega (PST), Hans Sverre Sjovold.
O órgão recebeu um alerta "vago" sobre o jovem pelas suas opiniões extremas, mas, após analisar a situação, concluiu que não havia base para continuar a investigação porque nada indicava a preparação de um atentado terrorista.
"Todos os dias recebemos avisos desse tipo", se desculpou Sjovold, que revelou que desde maio o serviço de inteligência detectou uma evolução negativa no ambiente de extrema-direita norueguês pelos recentes massacres cometidos por supremacistas em vários países.
A família do atirador condenou o ataque e demonstrou "alívio" pela ausência de vítimas. As autoridades locais aumentaram a segurança, sobretudo em Oslo, onde foi determinado que todos os polícias andarão armados.












