Como uma equipe localizou avião desaparecido há 74 anos no fundo do mar
Investigação ocorre desde 2019 e reuniu pesquisadores, documentos históricos, drones subaquáticos e um sonar de alta resolução
Internacional|Do R7
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Drones subaquáticos, um sonar de alta resolução e uma investigação que perdurou por sete anos: tudo isso foi necessário para localizar os destroços do Clipper Endeavor, avião da Pan American Airways encontrado a quase 600 metros de profundidade no oceano Atlântico, 74 anos após desaparecer na costa de Porto Rico.
A operação foi liderada pela Air/Sea Heritage Foundation, organização dedicada à preservação da história da aviação e da navegação, em parceria com a empresa de exploração submarina Deep Sea Vision e com a equipe do programa Expedition Unknown, do Discovery Channel.
À frente da investigação, esteve o historiador Russ Matthews, que começou a pesquisar o acidente em 2019 após se deparar com o caso durante um estudo sobre outro desastre aéreo envolvendo a Pan Am.
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Antes de iniciar as buscas no mar, os pesquisadores reconstruíram os últimos minutos do voo. Para isso, analisaram relatórios da investigação original, depoimentos de sobreviventes e documentos históricos.
Um dos principais avanços ocorreu quando a equipe encontrou, nos Arquivos Gerais de Porto Rico, um mapa elaborado por pilotos da Força Aérea dos Estados Unidos que testemunharam a queda do avião em 1952 e orientaram as equipes de resgate. O documento permitiu reduzir significativamente a área onde os destroços poderiam estar.
Com a região delimitada, entrou em cena a tecnologia. A bordo do navio de pesquisas Fugro Brasilis, os exploradores utilizaram um veículo subaquático autônomo (AUV) da fabricante Kongsberg Maritime, apelidado de Miss Millie. O equipamento, em formato semelhante ao de um torpedo, pode operar a profundidades de até 6 mil metros, permanecer submerso por até quatro dias e varrer grandes áreas do fundo do mar com sensores, câmeras e sonar de alta resolução.
O drone submarino percorreu uma área de cerca de 16 quilômetros quadrados em quase 30 passagens sobre o fundo do oceano. Durante a missão, a equipe chegou a identificar um naufrágio desconhecido, mas seguiu as buscas pelo avião. Na 13ª varredura, um objeto com formato semelhante à cauda de uma aeronave chamou a atenção dos pesquisadores, levando a uma inspeção mais detalhada.
As imagens em alta resolução confirmaram a descoberta. As fotografias revelaram partes da fuselagem preservadas, incluindo o tradicional logotipo alado da Pan Am e as letras “PAA” ainda visíveis na parte frontal da aeronave, além do trecho “VOR”, de Endeavor. Ao todo, a equipe registrou mais de 350 mil imagens do local, sem remover qualquer peça dos destroços.
Segundo os responsáveis pela expedição, não há planos para retirar a aeronave do fundo do mar. O local, onde 39 vítimas permanecem desaparecidas, deverá ser preservado como um memorial. A Air/Sea Heritage Foundation trabalha agora com o governo de Porto Rico para ampliar a proteção da área, enquanto a história completa da missão será apresentada em um episódio especial do Expedition Unknown, previsto para estrear ainda este ano.
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