Cameron e Miliband disputam voto a voto na reta final da campanha eleitoral
Internacional|Do R7
Guillermo Ximenis. Londres, 5 mai (EFE).- A dois dias das eleições gerais no Reino Unido, o primeiro-ministro conservador, David Cameron, e o líder trabalhista Ed Miliband multiplicaram seus eventos em circunscrições-chave para tentar ganhar votos e sair da situação de empate que as pesquisas indicam. Diante do complexo cenário que as pesquisas desenham para após a eleição, o liberal-democrata Nick Clegg, que formou coalizão com Cameron na última legislatura, advertiu nesta terça-feira que poderia ser necessário repetir as eleições antes do Natal se nenhum partido conseguir formar um Executivo estável. Tanto trabalhistas como conservadores parecem longe de obter os apoios necessários para governar sozinho, o que colocou as especulações sobre pactos pós-eleitorais no centro do debate político na imprensa britânica. Na reta final da campanha, Cameron e Miliband trabalham nas principais ideias de seus programas para convencer os últimos indecisos. O líder conservador, que tem eventos de campanha programados ininterruptamente para as próximas 36 horas, incluídos encontros com trabalhadores do turno noturno, pede votos para continuar com seu programa de recuperação econômica. Em um ato em Londres junto com o prefeito da capital britânica, Boris Johnson, que é candidato a deputado na Câmara dos Comuns, Cameron pediu aos eleitores que o julguem por seu "histórico" como primeiro-ministro, durante uma legislatura em que o Reino Unido reduziu seu déficit fiscal pela metade, para 4,8% do PIB. Quanto a eventuais pactos de governo, Cameron garantiu que colocará à frente os interesses do país. "Em 2010 pensei em primeiro lugar no país e formei uma coalizão. Fiz o correto para que o Reino Unido tivesse um governo sólido. Portanto sempre colocarei o país à frente", afirmou. O líder "tory" disse ainda que o Reino Unido sumirá no "caos" se os trabalhistas chegarem a Downing Street com o apoio do Partido Nacionalista Escocês (SNP). Miliband, que descartou formar uma coalizão oficial com os independentistas escoceses, afirmou por sua parte em Bedford, no norte de Londres, que "cada um dos votos pode fazer diferença nas eleições mais apertadas que já vimos". O trabalhista detalhou seus planos para reformar o sistema público de saúde e prometeu "continuar adiante até o último minuto da última hora desta campanha para resgatar a saúde". Uma pesquisa da empresa YouGov colocou hoje os "tories" e os trabalhistas empatados com 33% dos votos, e outra da Populus dá aos dois partidos 34%, o que torna praticamente impossível prever o resultado das eleições de quinta-feira. Segundo a projeção por cadeiras do jornal "Guardian", os trabalhistas obteriam 270 deputados (de um total de 650), que junto com os 54 projetados para o SNP formariam maioria suficiente nos Comuns para transformar Miliband em primeiro-ministro. Os conservadores, por sua vez, somariam 274 assentos, que não seriam suficientes para formar um governo estável com os liberal-democratas, que devem conquistar 27, nem com o eurófobo Partido pela Independência do Reino Unido (UKIP), que ficaria com três deputados. Nesse contexto, o líder do SNP, Nicola Sturgeon, afirmou que o Partido Conservador "caiu no desespero" ao acusa-los de querer semear o "caos" e destacou que os eleitores têm "48 horas para jogar aos 'tories" do Executivo. "O SNP demonstrou que um governo em minoria pode ser estável, bem-sucedido e efetivo", disse Sturgeon, cujo partido negociou acordos pontuais para governar na Escócia de 2007 a 2011, quando conquistou maioria absoluta nas urnas. Clegg, por sua vez, advertiu que um Executivo em minoria em Londres seria "confuso e instável". "A última coisa que o Reino Unido precisa são segundas eleições antes do Natal, mas isso é exatamente o que acontecerá se Ed Miliband e David Cameron colocarem seus interesses políticos à frente do interesse nacional", afirmou o líder liberal-democrata. EFE gx/cd (foto)










