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Cameron ordenou cerco britânico a revelações de Snowden, dizem fontes

Internacional|Do R7

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Por Andrew Osborn

LONDRES, 21 Ago (Reuters) - Dois assessores diretos do primeiro-ministro britânico, David Cameron, pressionaram o jornal The Guardian para entregar ou destruir arquivos digitais secretos fornecidos pelo norte-americano Edward Snowden, disseram fontes políticas nesta quarta-feira.

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A revelação sobre o envolvimento de Jeremy Heywood e Kim Darroch, respectivamente chefe de gabinete e assessor de segurança nacional, coloca Cameron no centro da tempestade desencadeada pela resposta de Londres ao noticiário envolvendo Snowden, ex-prestador de serviços da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos, hoje asilado na Rússia.

Cameron, que está de férias no sudoeste da Inglaterra, não se pronunciou.

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No começo de junho, o Guardian revelou, com base em informações vazadas por Snowden, a existência de um programa norte-americano de vigilância eletrônica e telefônica de grande escala que conta com a colaboração dos serviços secretos britânicos.

O Guardian, ativistas da liberdade de expressão e advogados especializados em direitos humanos dizem que o governo britânico cometeu uma agressão ao jornalismo independente quando pressionou o jornal a entregar o material dado por Snowden, e também ao deter, no fim de semana, um brasileiro que fazia conexão em Londres transportando outros arquivos digitais relativos ao mesmo caso.

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O editor do Guardian, Alan Rusbridger, disse na terça-feira que depois de publicar essas informações ele foi procurado por "um funcionário de altíssimo escalão que dizia representar as opiniões do primeiro-ministro" e por "figuras das sombras de Whitehall", uma alusão ao bairro governamental em Londres.

A Grã-Bretanha diz que suas agências de segurança atuam de acordo com a lei e que os vazamentos propiciados por Snowden são uma ameaça à segurança nacional.

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Rusbridger disse que o jornal foi ameaçado de um processo judicial se não destruísse ou entregasse todos os arquivos fornecidos por Snowden. Dois agentes de inteligência posteriormente supervisionaram a destruição dos discos rígidos na sede do Guardian, mas o editor disse que isso não impedirá o jornal de continuar fazendo revelações, já que havia cópias no exterior.

O principal jornalista envolvido nas revelações, Glenn Greenwald, vive no Rio de Janeiro. O companheiro dele, David Miranda, passou nove horas detido por autoridades britânicas no aeroporto Heathrow, em Londres, e teve confiscados os aparelhos eletrônicos nos quais havia armazenado arquivos entregues a ele por uma emissária de Snowden em Berlim.

Na terça-feira, a Casa Branca disse que não comentaria a destruição do material entregue por Snowden, mas o porta-voz John Earnest disse que seria inimaginável que autoridades dos EUA destruíssem discos rígidos de uma empresa de comunicação para proteger a segurança nacional.

"É muito difícil imaginar um cenário em que isso fosse apropriado", disse ele.

Várias fontes disseram que Heywood e Daroch estavam entre as autoridades que mantiveram contato com o jornal. Heywood é o mais graduado funcionário público da Grã-Bretanha, e principal assessor administrativo de Cameron; Darroch é o principal conselheiro do premiê para questões de segurança nacional.

"O primeiro-ministro pediu ao chefe de gabinete que lidasse com essa questão, isso é verdade", disse uma fonte à Reuters.

"Não se surpreenda de ouvir que (Darroch) também tem envolvimento nisso" afirmou outra fonte.

A secretária do Interior, Theresa May, defendeu as ações do governo. "Acho que as questões de segurança nacional são corretamente tratadas no nível apropriado dentro do governo, e não acho surpreendente que alguém num altíssimo escalão dentro do governo se envolva nessa questão em particular", afirmou ela à BBC.

A advogada de Miranda, Gwendolen Morgan, disse que haverá uma audiência na Alta Corte de Londres na quinta-feira para decidir sobre o pedido de liminar urgente para evitar que autoridades britânicas examinem todos os dados apreendidos de seu cliente e compartilhem com terceiros.

"O objetivo desses procedimentos é proteger a confidencialidade do material jornalístico sensível que foi apreendido", disse Morgan no pedido apresentado ao tribunal.

O Brasil disse ao governo britânico que considerava "injustificável" a detenção do seu cidadão, enquanto Miranda anunciou que entraria com um processo contra a polícia e o governo britânicos acusando-os de abuso de poder no combate ao terrorismo para se apropriarem de material jornalístico sensível.

A opinião pública está dividida sobre o assunto. Uma pesquisa divulgada pela YouGov nesta quarta-feira mostrou que 66 por cento dos entrevistados apoiavam o uso dos poderes pela polícia para deter Miranda, mas 44 por cento acreditavam que a lei foi usada de forma inadequada.

(Reportagem adicional de Mark Hosenball, em Washington; e de Costas Pitas e Michael Holden, em Londres)

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