Câncer: como células de vaca podem ajudar na busca de novos tratamentos, segundo estudo
Descoberta pode auxiliar na investigação de substâncias destinadas a combater tumores
Internacional|Do R7
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Uma pesquisa conduzida por cientistas da Universidade de Leipzig, na Alemanha, identificou uma semelhança entre células bovinas e humanas que pode contribuir para o desenvolvimento de novos tratamentos contra o câncer.
O estudo, publicado na revista científica Archives of Toxicology, analisou como diferentes espécies regulam um dos principais mecanismos de proteção do organismo: a apoptose, processo pelo qual células danificadas ou que deixaram de funcionar corretamente são eliminadas.
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Os pesquisadores descobriram que, em uma etapa específica desse processo, as células de bovinos apresentam características mais próximas das células humanas do que as de camundongos, animais amplamente utilizados em pesquisas para avaliar medicamentos antes dos testes em pessoas.
A descoberta pode abrir espaço para o uso de células bovinas como uma ferramenta complementar em estudos pré-clínicos, principalmente na investigação de substâncias destinadas a combater tumores.
Como funciona a morte das células
A apoptose é um mecanismo natural que permite ao organismo eliminar células que apresentam danos graves. Em condições normais, quando uma célula sofre alterações que podem representar um risco, uma sequência de sinais internos desencadeia sua destruição.
Esse sistema é importante para impedir que células comprometidas continuem se multiplicando. O problema é que células cancerígenas conseguem desenvolver mecanismos para escapar desse processo e permanecer vivas mesmo quando apresentam alterações.
A equipe de Leipzig concentrou a investigação em duas proteínas envolvidas diretamente nessa etapa: BAX e BAK. As duas ficam associadas à mitocôndria, estrutura responsável por produzir grande parte da energia utilizada pelas células, e participam da ativação da morte celular.
Os cientistas compararam amostras humanas com células e tecidos de diferentes animais, incluindo vacas, camundongos, ovelhas e porcos.
A análise mostrou que a proteína BAX encontrada em bovinos apresentava maior semelhança com a versão humana do que a observada nos camundongos. Os pesquisadores também identificaram características semelhantes na maneira como BAX e BAK se organizam na membrana das mitocôndrias de células humanas e bovinas.
Para avaliar esse comportamento na prática, foram realizados experimentos com células do fígado de vacas. Os cientistas expuseram as células a diferentes compostos e acompanharam a ativação da apoptose por meio de técnicas de análise, incluindo microscopia de alta resolução.
Segundo Frank Edlich, professor da Universidade de Leipzig e um dos autores do trabalho, a semelhança pode ser relevante para a pesquisa de novos medicamentos, porque modelos que reproduzem com maior fidelidade determinados mecanismos das células humanas podem ajudar a reduzir resultados que não se confirmam posteriormente em seres humanos.
Por que a descoberta é importante
A descoberta é especialmente relevante para a oncologia porque muitos tratamentos contra o câncer procuram justamente fazer com que as células tumorais voltem a responder aos mecanismos que levam à morte celular.
Se uma substância experimental for capaz de ativar esse processo nas células cancerígenas, por exemplo, ela poderá contribuir para interromper a sobrevivência e a multiplicação dos tumores.
Os resultados, no entanto, ainda estão longe de indicar que células bovinas substituirão os modelos utilizados atualmente. A pesquisa identificou uma semelhança específica relacionada ao funcionamento das proteínas BAX e BAK durante a chamada apoptose mitocondrial.
Ainda será necessário verificar se o mesmo padrão aparece em outros tipos de células bovinas e humanas e se a resposta permanece semelhante quando diferentes medicamentos e compostos são utilizados.
Para os pesquisadores, uma possibilidade é desenvolver modelos celulares bovinos padronizados que possam complementar os testes realizados atualmente. Em determinadas etapas, esses modelos poderiam ajudar os cientistas a avaliar com mais precisão o comportamento de substâncias antes que elas avancem para estudos mais complexos.
A descoberta, portanto, não representa um novo tratamento contra o câncer, mas pode contribuir para uma etapa anterior e fundamental: encontrar maneiras mais confiáveis de testar medicamentos e compreender como as células tumorais conseguem escapar da morte.
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