Celebração da Páscoa nos recorda que a liberdade não é um presente garantido
Data marcada por fé e esperança ressalta o valor da vida e a possibilidade de um futuro mais justo
Internacional|Cláudio Luiz Lottenberg*, especial para o R7

Nesta semana, e na próxima, milhões e milhões de pessoas ao redor do mundo se preparam para celebrar a Páscoa, que nos recorda que a liberdade não é um presente garantido, mas uma conquista que exige coragem, consciência e responsabilidade.
Uma data marcada por fé e esperança, morte e renascimento. E que ressalta aquilo que há de mais nobre: o valor da vida, o desejo de liberdade e a possibilidade de um futuro mais justo.
Para que esse futuro seja possível, é essencial compreender os contextos históricos do passado e do presente. Não podemos projetar um mundo melhor se não reconhecermos os caminhos que nos trouxeram até aqui, com suas dores e suas conquistas.
Hoje, o mundo assiste a novas formas de escravidão. Reféns continuam em cativeiro, sequestrados por grupos terroristas que não representam um povo nem uma causa legítima, mas sim uma visão de mundo obscurantista, violenta e teocrática. O Hamas, com apoio de regimes como o Irã, não luta por liberdade, mas busca impor um modelo autoritário em que não há espaço para diversidade, dissidência ou convivência pacífica.
Ao mesmo tempo, é preciso reconhecer que o povo palestino também merece liberdade — liberdade de viver sem medo, de se expressar, de construir seu futuro. Mas essa liberdade jamais será plena enquanto estiver sequestrada por aqueles que fazem do terror uma arma política e da intolerância uma ideologia.
Neste cenário complexo, é importante reafirmar: não defendemos apenas o Estado de Israel. Defendemos o compromisso que Israel representa — em nome da sociedade contemporânea — pela luta pela democracia, pela sobrevivência dos Estados livres e pelo respeito à diversidade. Em tempos de incertezas e discursos extremistas, é essencial valorizar uma das maiores conquistas da humanidade: o entendimento de que a democracia, com todos os seus desafios, é o único caminho capaz de garantir dignidade, justiça e paz duradoura.
O Brasil, por sua vez, é exemplo vivo de como diferentes culturas, religiões e histórias podem conviver lado a lado. É nossa responsabilidade coletiva preservar esse modelo de respeito mútuo. Não podemos permitir que ele se perca diante do avanço do extremismo, do ódio ou da desinformação. O Brasil nos mostra que a convivência é possível, que o diálogo é fértil e que a tolerância é uma força.
Neste período, reafirmamos nosso compromisso com a liberdade — para os reféns, para os povos, para todos os que clamam por dignidade. Que possamos, como sociedade, continuar lutando contra todas as formas de opressão, velhas e novas.
Desejamos a todos uma Boa Páscoa. Que esta temporada sagrada nos inspire a construir pontes, a defender a democracia e a afirmar, com coragem e esperança, que o futuro só pode ser verdadeiramente livre se for livre para todos.
*Cláudio Luiz Lottenberg é médico oftalmologista e presidente da Confederação Israelita do Brasil (CONIB)










