Clérigo antigoverno retorna ao Paquistão e promete liderar "revolução pacífica"
Internacional|Do R7
Por Katharine Houreld e Mubasher Bukhari
LAHORE Paquistão (Reuters) - Um proeminente clérigo retornou ao Paquistão nesta segunda-feira para liderar o que ele define como uma revolução pacífica contra o primeiro-ministro Nawaz Sharif, à medida que seus apoiadores combatiam a polícia, que usou gás lacrimogêneo na capital, Islamabad.
Tahirul Qadri, um clérigo paquistanês transformado em ativista político e que mora no Canadá, é uma figura que divide opiniões no Paquistão, onde ganhou destaque no ano passado ao liderar manifestações em massa contra o governo anterior.
Com a aproximação do avião de Qadri do Aeroporto Nacional Benazir Bhutto, em Islamabad, a violência irrompeu na cidade após a polícia ter atirado gás lacrimogêneo em 2.000 de seus apoiadores, provocando cenas de caos raramente vistas na capital.
As autoridades, temendo uma escalada na agitação popular, desviaram o voo comercial para a cidade de Lahore, leste do país.
“Não queremos corrupção, não queremos terrorismo em nosso país”, disse Qadri à Reuters a bordo do avião. “Queremos transparência total das instituições”.
A ascensão repentina de Qadri aumentou especulação de que o Exército, que governou o Paquistão por décadas, pode estar usando-o como um instrumento para marginalizar o governo civil.
Sua volta acontece em um período difícil para o primeiro-ministro Nawaz Sharif, cujo governo civil fracassou em realizar conversas de paz com militantes do Taliban, levando o Exército a lançar uma grande ofensiva contra os rebeldes.
Mesmo após a aeronave ter pousado em Lahore, Qadri e seus apoiadores se recusaram a deixar o avião durante horas, exigindo que voasse de volta para Islamabad ou que o Exército enviasse um representante para protegê-lo.
Ele acabou desembarcando e foi escoltado para sua residência em Lahore, sua principal base no país. No aeroporto da cidade, cerca de 1.000 apoiadores realizaram uma manifestação pacífica gritando “Vida longa a Qadri”.
O porta-voz de Qadri, Shahid Mursaleen, disse que ele queria realizar uma revolta nos moldes da Primavera Árabe e instalar um governo que implemente reformas, combata o terrorismo e aumenta a prestação de contas das instituições.
“Ele quer trazer uma revolução democrática pacífica”, disse Mursaleen à Reuters. “Quer derrubar todo o sistema”.













