Colômbia vive tensa calmaria e alerta máximo com processo de paz em andamento
Internacional|Do R7
Irene Urango. Bogotá, 6 fev (EFE).- As forças de segurança da Colômbia estão nesta quarta-feira em alerta máximo devido à explosão, ocorrida ontem, de dois carros bomba na cidade de Caloto, no sudoeste do país, e de fortes combates entre o Exército e as Farc, situação que gerou uma "tensa calmaria" na região e contrasta com o avanço dos diálogos de paz em Cuba. O diretor da Polícia Nacional, o general José Roberto León Riaño, informou hoje que o país está em alerta em todas as regiões, especialmente naquelas com presença do grupo guerrilheiro Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). "Fizemos alertas em matéria de inteligência, os esforços foram redobrados e há medidas de segurança em nível pessoal e, obviamente, das instalações", afirmou o general em entrevista coletiva. Ontem, a explosão de dois veículos carregados de explosivos nos arredores da cidade de Caloto, no departamento do Cauca, provocaram uma morte Nessa mesma área foram registrados fortes combates entre o Exército e a guerrilha, que deixaram mais um morto e dois feridos. O município amanheceu hoje com uma "tranquilidade aparente", disse à Agência Efe o secretário do Governo de Caloto, Jesús Arbey Martínez, que advertiu que "as pessoas estão à expectativa de ver quando serão reiniciados os confrontos armados". Segundo Martínez, o ataque de ontem foi o primeiro supostamente executado pela guerrilha após o dia 20 de janeiro, quando houve o fim da trégua decretada pelas Farc dois meses antes. Neste período, "os enfrentamentos diminuíram de intensidade e se acalmaram totalmente" em Caloto. A isso se soma o sequestro de dois policiais e um militar que o grupo guerrilheiro anunciou que colocará em liberdade mediante a coordenação do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV). Por causa desses fatos, o presidente da Conferência Episcopal da Colômbia, o cardeal Rubén Salazar, afirmou hoje que as Farc "não estão dando mostras claras de que querem a paz". O aumento da atividade armada se uniu à onda de sequestros do Exército de Libertação Nacional (ELN), segunda maior guerrilha da Colômbia, que tem em seu poder oito pessoas, entre elas dois alemães, dois peruanos e um canadense. E também às sucessivas ofensivas da polícia, entre elas a ocorrida na segunda-feira em Arauca, uma região fronteiriça com a Venezuela onde morreram seis guerrilheiros das Farc. Essa situação contrasta com os avanços que ocorrem em Havana, onde prosseguem as negociações em meio a mensagens de confiança do próprio presidente colombiano, Juan Manuel Santos, e do chefe negociador das Farc, "Ivan Márquez", que disseram nesta semana que ao longo deste ano haverá acordos concretos. A guerrilha apresentou nesta quarta-feira em Cuba um documento intitulado "Oito propostas mínimas para a ordem social e ambiental", entre as quais destaca a legalização de alguns cultivos de maconha, papoula e folha de coca e a suspensão de concessões a companhias mineradoras e petrolíferas. Analistas consultados pela Agência Efe explicaram que o endurecimento do conflito não impedirá a assinatura de um acordo entre as partes, mas disseram que nesse processo também deve ser incluído o ELN, que já pediu para se juntar ao diálogo para conseguir "uma paz integral". "Há dois cenários, um aqui, na Colômbia, onde há uma situação de confronto histórico, e outro na mesa de Havana, de onde saem mensagens tranquilizadores", afirmou à Efe o diretor do Centro de Pesquisa sobre Segurança e Defesa da Universidade Nacional da Colômbia, Alejo Vargas. EFE iu/id











