Trincheiras, desgaste: as semelhanças entre a guerra da Ucrânia e a 1ª Guerra Mundial
Conflito no Leste Europeu já dura mais tempo do que o grande embate militar entre nações na primeira metade do século 20
Internacional|Do R7
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A guerra entre Rússia e Ucrânia atingiu nesta semana uma marca histórica: o conflito já dura mais tempo do que a Primeira Guerra Mundial. Com 1.569 dias desde o início da invasão russa em fevereiro de 2022, a guerra ultrapassou a duração do confronto que marcou a Europa entre 1914 e 1918 e deixou milhões de mortos.
Segundo reportagem do jornal americano The New York Times, a longevidade do conflito reforça uma comparação feita com frequência por historiadores e especialistas militares: a semelhança entre a guerra na Ucrânia e os combates travados há mais de um século.
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Quando o presidente russo Vladimir Putin ordenou a invasão da Ucrânia, a expectativa de Moscou era obter uma vitória rápida. A resistência ucraniana, no entanto, transformou a ofensiva em uma guerra de desgaste que já se estende por mais de quatro anos.
Conflito sem perspectiva de fim
Apesar de diversas tentativas de negociação ao longo dos últimos anos, não há sinais concretos de uma resolução próxima.
Pesquisas citadas pelo The New York Times indicam que cerca de metade dos ucranianos acredita que a guerra continuará ao menos até o próximo ano. Caso isso aconteça, o conflito se aproximará da duração da Segunda Guerra Mundial, que se estendeu por seis anos.
Há ainda quem considere que a atual guerra começou, na prática, em 2014, quando a Rússia anexou a Crimeia e apoiou movimentos separatistas no leste ucraniano.
Especialistas consultados pelo The New York Times apontam que uma das principais semelhanças entre os dois conflitos está na dinâmica dos combates.
Assim como ocorreu na Primeira Guerra Mundial, uma ofensiva rápida acabou dando lugar a uma longa disputa por territórios, com linhas de frente relativamente estáveis e fortificadas.
Ao longo de 2022 e 2023, soldados russos e ucranianos passaram a ocupar extensos sistemas de trincheiras e bunkers, cenário que remete às imagens clássicas das batalhas travadas na Europa Ocidental há mais de cem anos.
Segundo o historiador militar francês Michel Goya, ouvido pelo jornal americano, a guerra na Ucrânia é atualmente o conflito que mais se aproxima das características observadas na Primeira Guerra Mundial.
Drones mudaram o campo de batalha
Se as trincheiras remetem ao passado, a tecnologia empregada no conflito aponta para o futuro.
O uso massivo de drones transformou profundamente a forma de combate. Equipamentos aéreos monitoram constantemente o campo de batalha, identificando movimentos inimigos e realizando ataques de alta precisão.
Essa vigilância permanente reduziu a eficácia das tradicionais redes de trincheiras e obrigou os militares a buscar abrigos menores, mais profundos e difíceis de localizar.
Além disso, grandes ofensivas de infantaria se tornaram raras. Em muitos casos, ataques são realizados por pequenos grupos ou até mesmo por soldados isolados, devido ao risco constante de serem detectados pelos drones.
Apesar das diferenças tecnológicas, as imagens registradas nas áreas de combate continuam lembrando os cenários devastados da Primeira Guerra Mundial.
Campos cobertos por crateras, cidades destruídas e florestas reduzidas a troncos retorcidos fazem parte da paisagem observada em diversas regiões do leste da Ucrânia.
Embora o número de vítimas seja menor do que o registrado entre 1914 e 1918, analistas afirmam que a letalidade do conflito permanece extremamente elevada. Estimativas apontam que cerca de meio milhão de pessoas já morreram desde o início da guerra.
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