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Como a tragédia em Chernobyl ajudou o Brasil a entender o acidente do Césio-137

Repercussão do caso europeu mostrou a importância de respostas rápidas em situações de contaminação

Internacional|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A tragédia de Chernobyl em 1986 influenciou a resposta do Brasil ao acidente com Césio-137 em Goiânia em 1987.
  • O acidente em Goiânia foi classificado como nível cinco na escala de eventos nucleares, enquanto Chernobyl foi o nível máximo, sete.
  • Centenas de pessoas foram expostas à radiação em Goiânia, resultando em quatro mortes diretas devido ao contato com Césio-137.
  • O episódio serviu como uma lição para as autoridades regulatórias brasileiras, melhorando a fiscalização e a legislação sobre materiais radioativos.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Reservista soviético faz trabalho de descontaminação após o acidente na usina de Chernobyl, em 1986 USFCRFC

Pouco mais de um ano após a tragédia nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, enquanto o mundo ainda tentava entender os impactos da radiação a longo prazo, o Brasil enfrentou um dos maiores acidentes radiológicos da história, em Goiânia, em 1987.

Na época, a repercussão internacional do caso europeu serviu como um exemplo do que a exposição a materiais radioativos pode causar e da importância de respostas rápidas em situações de contaminação.


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Classificados em níveis diferentes na escala de eventos nucleares, o acidente brasileiro atingiu o nível cinco, enquanto o desastre na Ucrânia chegou ao nível máximo, sete. No entanto, ambos expuseram pessoas a materiais extremamente perigosos e lidam com as consequências até hoje.

Césio-137

Em setembro de 1987, dois catadores encontraram uma máquina de radioterapia no Instituto Goiano de Radioterapia e decidiram desmontá-la para vender as peças. Dentro do aparelho havia uma cápsula com Césio-137, substância que, ao ser exposta, liberou um material luminoso que chamou a atenção dos homens.


Sem entender os riscos, o conteúdo acabou sendo manuseado e compartilhado entre familiares e vizinhos, espalhando a contaminação. Ao todo, centenas de pessoas foram expostas à radiação, e quatro morreram em decorrência direta do contato.

O Césio-137 é um elemento químico com isótopos artificiais produzidos em reações nucleares, que podem provocar danos imediatos e a longo prazo. Em entrevista à Record News, Elisabeth Mateus Yoshimura, especialista em radiação do Instituto de Física da USP, afirmou que o episódio serviu como uma lição para autoridades regulatórias do Brasil.


“Foi uma lição, infelizmente, com vítimas, mas uma lição muito grande para todas as autoridades regulatórias. A gente tem leis muito boas, a fiscalização tem melhorado, a gente teve, no ano passado, a Agência Nacional de Regulação de Uso de Radiação, tanto para o Césio quanto para outros materiais radiativos”, disse a professora.

Tragédia em Chernobyl

Já o acidente nuclear de Chernobyl, considerado o mais grave da história, aconteceu em 26 de abril de 1986, durante um teste que saiu do controle em um reator. Falhas técnicas e erros humanos causaram explosões e um incêndio que liberou grande quantidade de radiação no ar.


Dias após o acidente, 31 pessoas morreram, vítimas da explosão e da radiação. Com o reator destruído, o material se transformou em uma massa tóxica que se espalhou pela usina, fazendo com que a cidade de Pripyat fosse evacuada. O material radioativo também atingiu áreas da União Soviética e da Europa.

Com o passar do tempo, milhares de casos de câncer, principalmente de tireoide, foram registrados entre pessoas expostas. Até hoje, 40 anos após o acidente, Chernobyl é lembrado como um alerta sobre os riscos da energia nuclear.

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