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Como o Catar ajudou a mediar o cessar-fogo entre Israel e o Irã

Doha tem boas conexões tanto com potências da Otan, como EUA e Turquia, quanto com o Irã e com grupos terroristas

Internacional|Do R7

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Emirado vem ganhando protagonismo na diplomacia do Oriente Médio
Emirado vem ganhando protagonismo na diplomacia do Oriente Médio Akbar Nemati/Pexels

O Catar teve um papel decisivo na negociação que levou ao acordo de cessar-fogo entre Israel e Irã, após mais de uma semana de troca de ataques com mísseis entre os dois países. Atendendo a um pedido do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o governo catariano interveio diretamente junto às autoridades iranianas para viabilizar as tratativas iniciais do acordo.

Segundo diplomatas ouvidos pela Reuters e outras fontes próximas às negociações, a mediação começou após uma ligação de Trump ao emir do Catar, Tamim bin Hamad Al Thani. Na conversa, o presidente americano informou que Israel havia aceitado uma proposta de cessar-fogo, mas que era necessário convencer o Irã a aderir ao acordo.


O primeiro-ministro do Catar, Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, também entrou em ação e manteve contato direto com a liderança iraniana. Segundo relatos, a articulação foi bem-sucedida e levou Teerã a sinalizar positivamente ao cessar-fogo, com a condição de que Israel também encerrasse suas operações militares.

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Apesar do entendimento, Israel continuou realizando ataques nas primeiras horas da terça-feira (24). Fontes iranianas confirmaram que o país havia aceitado a proposta americana, enquanto autoridades israelenses evitaram comentar. Trump afirmou que o cessar-fogo seria implementado em fases, à medida que ambas as nações concluíssem suas missões militares em andamento.


O episódio aconteceu em meio a uma escalada que também afetou diretamente o território catariano. Na segunda-feira (21), antes da confirmação do acordo, o Irã lançou uma série de mísseis contra a Base Aérea de Al Udeid, no Catar, que abriga tropas americanas.

Após abater os mísseis, o governo catariano afirmou que o ataque representou uma violação da sua soberania e de seu espaço aéreo. Também declarou que o país tem o direito de responder ao que classificou como uma agressão feita pelo Irã, num claro aceno aos Estados Unidos de Donald Trump.


Apesar disso, Doha manteve a postura de mediador. Na mesma ocasião, também criticou os bombardeios feitos por Washington contra instalações nucleares iranianas.

Horas após a retaliação de Teerã, considerada coreografada, já que líderes iranianos sinalizaram com antecedência que faria a ação, Trump anunciou a trégua na guerra entre Israel e Irã após 12 dias de confronto. A mediação do Catar foi considerada central para o acordo.


Diplomacia do Catar

O emirado vem ganhando protagonismo como interlocutor estratégico na diplomacia do Oriente Médio. O país, que abriga importantes bases militares dos EUA, mantém uma política externa que busca equilibrar relações.

Doha tem boas conexões tanto com potências da Otan, como Estados Unidos e Turquia, quanto com o Irã e com grupos terroristas como Hamas, Talibã e Irmandade Muçulmana. A estratégia busca garantir segurança e evitar isolamento, levando em conta o pequeno território do país, com 11,5 mil quilômetros quadrados, metade da área de Sergipe, e a limitação geográfica, já que sua única fronteira terrestre é com a Arábia Saudita.

O fortalecimento das relações com os Estados Unidos ficou evidente também em outro episódio. O Pentágono confirmou no final de maio que os Estados Unidos decidiram aceitar um Boeing 747-8 oferecido pelo governo do Catar.

A aeronave será utilizada como o novo Air Force One, o avião presidencial norte-americano. Segundo o porta-voz da Força Aérea dos Estados Unidos, a substituição do atual Boeing 747-200B já está em andamento. O avião havia sido oferecido como presente pela família real do Catar durante a viagem de Trump ao Oriente Médio, como sinal de aproximação com os países visitados, incluindo Arábia Saudita, Catar e Emirados Árabes Unidos.

Fontes da Casa Branca informaram que, além de Trump, o vice-presidente JD Vance, o secretário de Estado Marco Rubio e o enviado especial Steve Witkoff participaram das tratativas com interlocutores iranianos.

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