Conservadores portugueses chegam a um acordo de governo
Internacional|Do R7
Lisboa, 5 jul (EFE).- Os partidos conservadores que formam o Executivo português chegaram nesta sexta-feira a um acordo, de conteúdo não revelado, para encerrar a crise de governo, que, segundo a imprensa oficial, foi apresentado pelo primeiro-ministro ao chefe do Estado. O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, se reuniu hoje durante mais de uma hora com o presidente da República, o também conservador Aníbal Cavaco Silva, para apresentar-lhe o entendimento com os democrata-cristãos, que estava em negociações após a renúncia de seu líder, Paulo Portas, como ministro das Relações Exteriores. Não foram revelados os detalhes do acordo apresentado por Passos Coelho, que ontem, após outra reunião com Cavaco, se mostrou seguro de encontrar uma "fórmula" de governo com os democrata-cristãos que garanta a estabilidade política do país e o cumprimento do programa de resgate financeiro. O Partido Social Democrata (PSD, centro-direita) de Passos Coelho, e o Centro Democrático Social Partido Popular (CDS-PP, democrata-cristão) de Portas, devem realizar amanhã reuniões de seus dirigentes sobre o conteúdo desse acordo. Os dois dirigentes conservadores voltaram a reunir-se hoje durante várias horas no segundo dia de negociações para solucionar suas diferenças. O risco de o Executivo luso perder a maioria absoluta parlamentar que lhe dão os dois partidos desencadeou na terça-feira uma das piores quedas da Bolsa de Lisboa, de 5,5%, e disparou os juros da dívida lusa acima de 8%. Cavaco e o presidente do Banco de Portugal, Carlos Costa, lançaram hoje várias advertências sobre as consequências da incerteza política no país e defenderam o consenso e a estabilidade para não pôr em perigo a recuperação econômica. O chefe de Estado advertiu que expor o sistema financeiro luso a uma "grande pressão" poderia obrigar Portugal a pedir um segundo resgate. Como consequência da crise de governo, a agência de qualificação financeira Standard and Poor's rebaixou hoje, de estável a negativa, a perspectiva da dívida soberana lusa, cuja nota mantém em "BBB", um nível considerado como "bônus lixo". EFE ecs/rsd













