Correa ordena ingresso em comunidade amazônica que três esconde condenados
Internacional|Do R7
Quito, 9 mai (EFE).- O presidente do Equador, Rafael Correa, anunciou nesta sexta-feira que as autoridades tentarão novamente ingressar em uma zona amazônica deste país andino, onde pessoas armadas protegem três condenados por injúrias ao governante. "Em Sarayaku (Amazônia) estão desobedecendo uma ordem judicial. Se atuará com todo o rigor da lei", disse o governante em entrevista na zona norte do país, segundo a Presidência. "Vamos tentar entrar novamente com a polícia nacional, dizendo 'por favor entreguem os foragidos' e se impedirem a ação da polícia, declararemos estado de emergência", advertiu. O governante indicou que o problema na comunidade é "gravíssimo" pois se trata de uma tentativa separatista em nome de costumes ancestrais, a propósito da proteção que seus dirigentes outorgam a pessoas condenadas judicialmente, publicou o portal da Presidência. "Aqui existe só uma nação e eles estão contradizendo o que diz a Constituição", acrescentou o governante. O assunto "é muito grave, nós não vamos ceder, não há nada o que negociar com os dirigentes sarayakus, que estão cometendo delitos", ressaltou. Na segunda-feira, o governo do Equador denunciou que entre 200 e 300 pessoas com armas impediram uma diligência para verificar a presença na zona dos três condenados por injúrias a Correa. O Ministério do Interior expressou que os indivíduos, com lanças, machetes e paus "em atitude ameaçante", impediram que o diretor da Polícia Judiciária, Milton Zárate, e o promotor Fabián Salazar descessem dos helicópteros nos quais, acompanhados de policiais, tinham chegado à comunidade de Sarayaku, na província amazônica de Pastaza, para investigar a presença dos condenados. Os sentenciados são o opositor Cléver Jiménez, seu assessor Fernando Villavicencio e o médico Carlos Figueroa, os dois primeiros condenados a 18 meses de prisão e o terceiro a seis. A condenação foi imposta após eles acusarem Correa, sem provas, em relação com os fatos ocorridos em 30 de setembro de 2010. Nesse dia, o governante esteve preso durante várias horas em um hospital de Quito no meio de uma revolta policial que o governo considerou uma tentativa de golpe de Estado. Os condenados o acusaram de ter se trasladado às instalações de uma universidade para planejar seu resgate e retornar depois ao hospital para ser libertado. A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), à qual acudiram os condenados, outorgou medidas cautelares e reivindicou ao Estado equatoriano a suspensão da execução da condenação, mas o governo argumentou que o organismo não tem concorrência para fazer esta exigência. A comunidade Sarayaku decidiu proteger os acusados em virtude das medidas da CIDH. Sobre uma resolução da Corte Interamericana de Direitos Humanos (CorteIDH) de que impediria qualquer incursão da polícia em território Sarayaku, a ministra da Justiça, Ledy Zúñiga, esclareceu que essa sentença se refere às permissões que a comunidade deve autorizar para as atividades petrolíferas que impliquem potenciais riscos a seu ecossistema. EFE sm/ff










