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Crescente influência islâmica garante aprovação da Constituição egípcia 

Comitê eleitoral confirmou que nova lei foi aprovada por 63,8% dos votos

Internacional|Do R7 , com agências internacionais

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Líder da oposição, Hamdin Sabahi, criticou aprovação da nova Constituição
Líder da oposição, Hamdin Sabahi, criticou aprovação da nova Constituição

O projeto de Constituição estava no centro da crise mais grave registrada no Egito desde a eleição de Mursi, em junho. A tensão entre partidários e opositores de Mursi terminou, na noite do último dia 5, em confrontos nos arredores do palácio presidencial, que deixaram oito mortos e centenas de feridos.

Segundo a oposição, a nova Constituição, oficialmente aprovada na última terça-feira (25), abre caminho para interpretações severas do islã e oferece poucas garantias de determinadas liberdades, apesar das aspirações democráticas que surgiram da revolta contra Hosni Mubarak, que dirigiu o Egito por três décadas.


Os partidários de Mursi afirmam que a nova Carta dotará o país de um marco constitucional estável, acabando com dois anos de uma transição turbulenta.

Nova Constituição do Egito é aprovada por 63,8%


Oposição

Após o fim da segunda fase de votação, a FSN (Frente de Salvação Nacional), que aglutina grande parte da oposição não islamita, denunciou que houve fraude no referendo e advertiu que tentará mudar a Constituição através de "meios democráticos". A FSN solicitou o "não" no referendo por considerar que a Constituição abole direitos e liberdades e abre a porta para uma interpretação islamita da lei.


A minuta da nova Carta Magna foi aprovada pela Assembleia Constituinte no último dia 30 de novembro, em uma votação que contou com o boicote dos membros não islamitas. Embora o artigo 2 da Constituição finalmente tenha sido mantido como na anterior Carta Magna de 1971 e estabeleça que "os princípios" da "sharia" (lei islâmica) "são a fonte principal da legislação", outra cláusula amplia a interpretação destes princípios e sua possível aplicação.

Outros artigos controvertidos são os relativos às Forças Armadas, ao estipular a formação de um Conselho de Defesa Nacional, que tenta ser uma via intermediária entre as reivindicações dos militares e das forças políticas.


A aprovação do texto representa uma importante vitória para os islamitas, mas a profunda divisão gerada na sociedade egípcia complica a estabilidade e o consenso no país em curto prazo.

De fato, antes de conhecer os resultados oficiais, o Movimento 6 de Abril convocou uma manifestação para o próximo dia 25 de janeiro, no segundo aniversário da revolução, para pedir a queda da nova Constituição. Em entrevista coletiva, o fundador deste grupo, Ahmed Maher, comparou a presidência de Mursi com o regime de Mubarak, já que os dois tacham a oposição de "traidora".

Outro dirigente do 6 de Abril, Mohammed Kamel, denunciou que as violações registradas durante o referendo provam que "os islamitas insistem em aprovar a Constituição de qualquer forma".

Por outro lado, o guia espiritual da Irmandade Muçulmana, Mohammed Badía, felicitou os egípcios pela aprovação da Carta Magna e declarou que chegou o tempo de conseguir "o renascimento do país".

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