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Crimeia vota por adesão à Rússia e agrava crise na Ucrânia

Internacional|Do R7

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Por Alissa de Carbonnel

SIMFEROPOL, Ucrânia, 6 Mar (Reuters) - O Parlamento da Crimeia aprovou na quinta-feira a adesão da região à Rússia, e o governo local, apoiado por Moscou, marcou um referendo sobre o tema para dentro de dez dias, numa dramática escalada da crise na península ucraniana do mar Negro.


A repentina aceleração das manobras para colocar formalmente a Crimeia sob o controle russo ocorre enquanto os líderes da União Europeia se reúnem para uma cúpula emergencial, buscando formas de pressionar a Rússia a recuar e aceitar a mediação.

A Crimeia, no sudeste da Ucrânia, tem população de maioria étnica russa, e na prática foi ocupada por forças russas. Segundo a agência russa de notícias RIA, o Parlamento regional aprovou por unanimidade "a entrada na Federação Russa, com os direitos de um súdito da Federação Russa".


O vice-premiê regional disse que o referendo sobre o status da região acontecerá em 16 de março.

Diplomatas dizem que esse anúncio provavelmente não foi feito sem o aval do presidente russo, Vladimir Putin, numa situação que eleva o tom do mais sério conflito leste-oeste desde o fim da Guerra Fria.


Os líderes da UE parecem inclinados a alertar a Rússia por sua intervenção militar na Ucrânia, mas sem impor sanções a Moscou. Não está imediatamente claro qual será o impacto das decisões na Crimeia.

Ao chegar para a cúpula, o presidente da França, François Hollande, disse a jornalistas que "haverá a mais forte pressão possível sobre a Rússia para começar a reduzir a tensão, e dentro da pressão há, evidentemente, o eventual recurso a sanções".


Durante discussões na quarta-feira em Paris, o chanceler russo, Sergei Lavrov, se recusou -apesar da pressão dos EUA e da UE- a se reunir com seu novo homólogo ucraniano ou iniciar um "grupo de contato" para buscar uma solução para a crise. Os dois ministros voltarão a se encontrar novamente na quinta-feira em Roma.

A tensão continua elevada na Crimeia, onde um alto representante da ONU foi cercado por uma multidão pró-Moscou, sendo ameaçado e obrigado a voltar ao seu avião e ir embora do país.

A cúpula da UE em Bruxelas dificilmente adotará mais do que medidas simbólicas contra a Rússia, maior fornecedor de gás para a Europa, porque nem a Alemanha -potência industrial do continente- nem a Grã-Bretanha -centro financeiro da UE- querem trilhar esse caminho.

Os EUA já anunciaram a disposição de adotar sanções como a proibição de vistos, congelamento de bens de autoridades russas específicas e restrições a transações comerciais. Washington diz que essas medidas podem ser adotadas já nos próximos dias.

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