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Crise síria dificulta eleição de um novo presidente no Líbano

Internacional|Do R7

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Kathy Seleme. Beirute, 7 mai (EFE).- A profunda divisão entre os partidos políticos libaneses, principalmente entre os opositores e partidários do regime sírio, dificulta um consenso para escolher o substituto do presidente Michel Suleiman, cujo mandato de seis anos expira no dia 25 de maio. As Forças do 8 de Março, lideradas pelo grupo xiita libanês Hezbollah e defensoras do regime do presidente sírio, Bashar al Assad, não apresentaram até agora nenhum candidato. No entanto, seu rival, as Forças do 14 de março, contrárias ao presidente sírio, confiam que seu líder, Samir Geagea, seja o próximo líder do país. Até o momento, apenas Henri Helu, apoiado pelo grupo parlamentar do líder druso Walid Jumblatt, disputa o posto com Geagea. Desde o último dia 23 de abril, o Parlamento se reuniu em três ocasiões sem conseguir escolher o novo chefe de Estado. A primeira vez porque nenhum dos dois candidatos obteve o apoio dos dois terços necessários para alcançá-lo, enquanto nos dois turnos sucessivos, no dia 30 de maio e hoje, não houve quórum para realizar a votação. Era preciso que 86 deputados estivessem presentes e que o candidato obtivesse o voto de 56 para se tornar o novo presidente. Na sessão de hoje estava presente a maioria dos deputados das Forças do 14 de Março, mas não os representantes do 8 de março. Momentos depois da suspensão da votação por falta de quórum, Geagea advertiu em entrevista coletiva que existe o "perigo" que não se possa escolher um sucessor para Suleiman antes de 25 de maio, e acusou por esta situação o 8 de Março. Convencida disso está a diretora do departamento de Ciências Políticas da Universidade de San José, Fadia Kiwan, que descartou em declarações à Agência Efe "que haja um presidente antes do fim do mandato de Suleiman" e destacou que a escolha "demandará negociações internacionais e regionais". Uma vez passado o dia 15 de maio, o Parlamento se transformará em colégio eleitoral e não necessitará ser convocado para se reunir. Segundo o sistema confessional em vigor no Líbano, o presidente deve pertencer à comunidade cristã maronita, o primeiro-ministro à muçulmana sunita, e o chefe do Parlamento à muçulmana xiita. Nesse sentido, Geagea ressaltou que "a não eleição de um presidente pretende marginalizar mais os cristãos". O conselho de bispos maronitas libaneses, reunido hoje em sua sessão mensal, expressou sua inquietação em relação a um eventual vazio de poder. "Só haverá um vazio presidencial, já que a Constituição prevê que é o governo quem dirigirá o país" se um presidente não for eleito, sustentou Kiwan. Também não parece preocupado o analista político Fouad Atieh, que disse à Agência Efe, que "não se deve preocupar, não acontecerá nada", já que, acrescenta, "não é a primeira vez que ocorre uma coisa igual". Em 2007, ao fim do mandato do ex-presidente Emile Laud, o Líbano esteve seis meses sem presidente até que, graças a uma emenda constitucional, se elegeu o então comandante-em-chefe do exército, Michel Suleiman. Segundo a Constituição libanesa, um alto cargo do Estado deve renunciar seis meses antes de seu posto para poder concorrer à presidência. "O país continuará igual por mais que o mundo se escandalize", acrescentou Laud. Um pouco mais nervoso se mostra o mufti da República, xeque Mohamad Rachid Kabani, que advertiu que "dias difíceis esperam o Líbano" se não for eleito um presidente nos próximos dias. Em seu editorial, o jornal "l'Orient-Le Jour" comentou que "é muito provável que haja um vazio em nível da presidência à espera que a situação na região se aclare um pouco". Segundo o jornal, a crise síria afeta de maneira direta o Líbano, que se vê influenciado também pelas eleições nesse país, no Iraque e no Egito. "A situação é bastante confusa e nenhum dos grupos rivais está disposto a fazer concessões porque acreditam que a evolução regional poderia favorecê-los", acrescentou. A mesma opinião tem Kiwan, que acredita ainda que "não existe a possibilidade que um grupo domine o outro". Nesse sentido, uma fonte diplomática disse à Efe que "seria mortal para o Líbano escolher um candidato contrário à Síria, assim como buscar outro que tente desvinculá-lo do que ocorre ali, já que está cada vez mais envolvido". Por outra parte, criticou a comunidade internacional por ter perdido interesse na agenda do Oriente Médio, principalmente no conflito sírio: "Mais de três anos de guerra, que poderão durar muitos mais. Por isso, é muito difícil que se possa escolher um presidente no Líbano". EFE ks/rsd

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