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Cura de bebê com HIV nos Estados Unidos aumenta esperanças e eleva dúvidas

Internacional|Do R7

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CHICAGO, Estados Unidos, 4 Mar (Reuters) - O notável caso de um bebê nos Estados Unidos que foi curado da infecção pelo vírus HIV graças a medicamentos comuns gera novas esperanças de erradicação da Aids infantil no mundo, mas cientistas dizem que isso ainda depende de muitas pesquisas adicionais e do surgimento de diagnósticos muito mais precisos.

Uma menina do Mississippi que nasceu contaminada pelo HIV, em julho de 2010, começou a ser tratada 30 horas depois do parto, e assim continuou por 18 meses. Ela agora está considerada curada, segundo anúncio feito no domingo pela pesquisadora Deborah Persaud, da Universidade Johns Hopkins, de Baltimore, durante a Conferência Sobre Retrovírus e Doenças Oportunistas, em Atlanta.

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"Do ponto de vista clínico, isso significa que se você conseguir colocar um bebê infectado sob drogas antirretrovirais imediatamente depois do parto, será possível prevenir ou reverter a infecção, essencialmente curar o bebê", disse o pesquisador Steven Deeks, da Universidade da Califórnia, em San Francisco, que também participa da conferência, onde o caso foi apresentado nesta segunda-feira a especialistas.

Deeks e outros apontaram o caso como um grande avanço rumo à cura de bebês que contraiam o HIV no nascimento. Mas os pesquisadores também disseram que seria necessária uma forma melhor de diagnosticar a presença do vírus, um processo que pode levar até seis semanas.

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"Isso poderia ter um efeito profundo sobre como abordamos bebês nascidos de mães soropositivas", disse Deeks.

O tratamento das mães soropositivas antes do parto é a melhor forma de prevenir a contaminação do bebê, dizem especialistas, mas mesmo em um país rico como os Estados Unidos nascem anualmente 100 a 200 bebês soropositivos, segundo Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas. Em todo o mundo, estima-se que nasçam até mil bebês soropositivos por dia.

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O diretor-executivo do Programa Conjunto da ONU para o HIV/Aids, Michel Sidibé, disse que a notícia "nos dá grande esperança de que uma cura para o HIV em crianças é possível", mas também indica a necessidade de mais pesquisa e inovação, "especialmente na área do diagnóstico precoce".

Fauci disse que o caso da menina é uma importante "prova de conceito", mas alertou que é apenas um caso, que precisaria ser ainda mais validado.

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"A verdadeira pergunta é se isso poderá ser amplamente aplicado a outros bebês", afirmou.

Segundo ele, a ausência de um diagnóstico mais preciso abre a possibilidade de que crianças sejam expostas a um tratamento prematuro com drogas muito tóxicas, mesmo que não tenham chegado a ser contaminadas.

No caso da menina do Mississippi, havia o entendimento de que ela estava sob risco extremo de contrair o vírus da mãe, e que por isso o tratamento completo começou assim que ela nasceu - em vez de que fossem administradas doses preventivas mais baixas, até que exames esclarecessem a situação.

Fauci disse que ainda não é hora de alterar os protocolos de tratamento para bebês que nascem infectados. "É um caso isolado. Temos de ser cuidadosos com isso."

(Reportagem de Julie Steenhuysen)

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