Daniel Kinahan: quem é o irlandês suspeito de liderar um dos cartéis mais perigosos do mundo
Homem foi extraditado dos Emirados Árabes Unidos para o país europeu, onde foi preso
Internacional|Do R7
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Daniel Kinahan, apontado pelas autoridades como um dos líderes de uma das maiores organizações criminosas da Irlanda, foi extraditado dos Emirados Árabes Unidos para o país europeu, onde foi preso e responderá a acusações relacionadas ao crime organizado. Aos 49 anos, ele é suspeito de comandar uma rede internacional ligada ao tráfico de drogas e à lavagem de dinheiro.
Filho de Christopher Vincent Kinahan, Daniel Kinahan é conhecido como “The Dapper Don” e teria herdado do pai a participação em uma organização criminosa que começou a se consolidar em Dublin e posteriormente expandiu suas operações para outros países.
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Segundo autoridades irlandesas, britânicas e americanas, seu envolvimento com o crime começou por influência do próprio pai, que já atuava no tráfico de heroína desde a década de 1980.
Christopher Kinahan, por sua vez, foi preso em 1986 por tráfico de heroína e condenado a seis anos de prisão. De acordo com autoridades, o criminoso já havia transformado uma residência de luxo em Dublin em uma base para a distribuição da droga pela cidade. Durante os anos seguintes, ele teria ampliado sua rede de contatos e, posteriormente, incorporado os dois filhos aos negócios.
Foi dessa estrutura familiar que surgiu o Kinahan Organized Crime Group (KOCG), considerado pelas autoridades uma das organizações criminosas mais poderosas da Irlanda. O grupo teria começado distribuindo cocaína e heroína sul-americanas na Irlanda e depois expandido a atuação para o Reino Unido e outros países da Europa. Além do tráfico de drogas, a organização é acusada de envolvimento com lavagem de dinheiro, tráfico de armas e assassinatos.
A expansão internacional fez com que os Kinahan passassem a atuar em diferentes países. No fim dos anos 2000, a família já tinha presença na Espanha, especialmente em Marbella. Em 2010, Daniel, seu irmão e o pai foram presos pela polícia espanhola, que também confiscou propriedades e veículos de luxo. Daniel, porém, não chegou a ser condenado naquele episódio.
A imagem pública de Kinahan, entretanto, não ficou restrita ao mundo do crime. Em 2012, ele fundou a MTK Global, empresa ligada à promoção de boxe, e passou a construir relações com lutadores profissionais de destaque. Um dos nomes que mantinha contato com ele era o britânico Tyson Fury, que chegou a agradecer publicamente ao irlandês por sua participação na organização de uma luta.
A ligação com o esporte acabou dando a Kinahan uma espécie de fachada empresarial e o aproximou de figuras importantes do boxe internacional. A imagem, porém, sofreu um forte abalo em 2016.
Naquele ano, Kinahan foi alvo de uma tentativa de assassinato durante a pesagem de uma luta no Hotel Regency, em Dublin. Homens ligados à gangue rival Hutch invadiram o local e abriram fogo. Kinahan escapou ileso, mas David Byrne, associado ao grupo, foi morto e outras duas pessoas ficaram feridas.
O episódio marcou uma escalada na disputa entre as organizações criminosas. Segundo as autoridades, o conflito entre os grupos deixou pelo menos 18 mortos.
Depois do ataque, Kinahan deixou a Irlanda e se estabeleceu em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. O país se tornou uma das principais bases do criminoso durante os anos em que permaneceu longe de sua terra natal. Segundo autoridades americanas, ele continuou exercendo influência sobre as operações da organização a partir do emirado.
Em 2022, os Estados Unidos anunciaram uma recompensa de até US$ 5 milhões por informações que levassem à prisão ou condenação de Kinahan por sua suposta participação em crime organizado transnacional, especialmente tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.
As autoridades americanas afirmam que o grupo associado à família Kinahan movimenta grandes quantidades de cocaína e heroína pela Europa. Uma estimativa citada por autoridades aponta que as operações da organização poderiam movimentar cerca de US$ 1 bilhão por ano.
A prisão de Kinahan ocorreu depois que a Irlanda emitiu um mandado internacional. Ele foi detido em Dubai e posteriormente extraditado para a Irlanda. Ao chegar ao país, foi levado ao Tribunal Penal Especial de Dublin, onde ficou em prisão preventiva. Uma audiência está marcada para 5 de outubro.
Kinahan nega as acusações. Antes da extradição, chegou a afirmar que se considerava um “bode expiatório”.
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