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Diplomata brasileiro assume responsabilidade por fuga de senador boliviano

Internacional|Do R7

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Por Esteban Israel

SÃO PAULO, 26 Ago (Reuters) - O encarregado de negócios da embaixada do Brasil em La Paz assumiu a responsabilidade pela fuga do senador Roger Pinto da Bolívia e assumiu ter agido sem autorização de seus superiores, porque o político de oposição estava deprimido e ameaçava cometer suicídio após 15 meses refugiado na sede diplomática.


A admissão do diplomata Eduardo Saboia pode ajudar a evitar uma crise diplomática entre Brasil e Bolívia, um aliado e importante fornecedor de gás natural para o país.

"Eu decidi falar com a imprensa e dizer que tomei a decisão de conduzir essa operação porque havia um risco iminente à vida e à dignidade de uma pessoa", disse o diplomata em entrevista transmitida no domingo à noite pela TV Globo.


Pinto fugiu a bordo de um carro da embaixada brasileira, que percorreu 1.500 quilômetros até cruzar a fronteira.

O advogado brasileiro de Pinto, Fernando Tiburcio, disse à Reuters que seu cliente saiu na sexta-feira da embaixada brasileira em La Paz em um automóvel diplomático e sob a escolta de fuzileiros navais do Brasil.


As autoridades bolivianas disseram que por esse motivo não houve revista ao carro. "Um veículo diplomático não pode ser objetivo de revista em nenhuma hipótese", disse o ministro boliviano do Governo, Carlos Romero, à emissora de TV Unitel.

A fuga de Pinto, que faz oposição ao governo do presidente Evo Morales, causou tensão entre os dois países. A Bolívia pediu explicações ao Brasil e espera receber uma resposta, antes de tomar medidas judiciais.


A decisão de Saboia aparentemente surpreendeu as autoridades brasileiras, que prometeram investigar o incidente e tomar medidas administrativas e disciplinares.

O Itamaraty não estava imediatamente disponível para comentar de imediato sobre a atitude de Saboia. Em nota, o ministério informou que Saboia foi chamado a Brasília para esclarecimentos.

O Brasil concedeu asilo político a Pinto, que é acusado de corrupção na Bolívia, em meados de 2012, mas as autoridades bolivianas não concederam ao senador um salvo-conduto necessário para sair do país.

"Havia uma violação constante, crônica de direitos humanos, porque não havia perspectiva de saída, não havia negociação em curso e havia um problema de depressão que estava se agravando", disse Saboia à TV Globo.

"Ele começou a falar de suicídio, ele dizia constantemente que queria que nós o tirássemos de lá", acrescentou.

O encarregado de negócios disse que atuou sem a permissão do Ministério das Relações Exteriores. "Não preciso de autorizações específicas em situações de urgência."

O advogado do senador boliviano disse que deixou a embaixada em Laz Paz às 15h (horário local) de sexta-feira em um comboio de veículos diplomáticos. Cada carro tinha um motorista e um fuzileiro naval.

"No trajeto eles foram parados cinco vezes pela polícia, mas Eduardo (Saboia) foi firme e impediu que revistassem o carro", disse o advogado à Reuters.

Saboia disse que havia informado duas vezes ao Itamaraty sobre a piora da situação do boliviano e da necessidade de uma ação. Segundo Tiburcio, a última advertência foi feita um dia antes da fuga, quando comunicou a seus chefes em Brasília "sobre a iminência de fazer algo".

Pinto deve conceder uma entrevista coletiva na terça-feira na Comissão de Relações Exteriores do Senado, em Brasília.

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