Rússia x Ucrânia

Internacional Diplomatas da Ucrânia e da Rússia se reúnem para discutir exportação de grãos e risco de fome

Diplomatas da Ucrânia e da Rússia se reúnem para discutir exportação de grãos e risco de fome

Encontro ocorre na Turquia e conta com a presença de representantes do país e da ONU para tentar acabar com o bloqueio no mar Negro

AFP

Resumindo a Notícia

  • Cerca de 20 milhões de toneladas de grãos estão bloqueadas na Ucrânia
  • Putin e o presidente turco vão se encontrar na semana que vem no Irã
  • Estados Unidos acusaram o Irã de enviar "centenas de drones" para a Rússia
  • EUA anunciaram na última terça que dariam mais R$ 9,1 bilhões em ajuda à Ucrânia
Delegações russas, ucranianas e turcas se reúnem com funcionários da ONU em Istambul

Delegações russas, ucranianas e turcas se reúnem com funcionários da ONU em Istambul

Reuters - 13.7.2022

Representantes da Ucrânia e da Rússia iniciaram nesta quarta-feira (13) em Istambul, na Turquia, discussões com diplomatas da ONU e do país para tentar acabar com o bloqueio às exportações de grãos pelo mar Negro, o que fez disparar os preços e que provoca o risco de fome em muitos países.

As discussões entre as quatro partes, as primeiras que incluem russos e ucranianos cara a cara desde 29 de março, começaram às 8h15 de Brasília e buscam estabelecer corredores seguros no mar Negro, informou à AFP uma autoridade turca.

A Ucrânia é um dos maiores exportadores mundiais de trigo e outros cereais. Cerca de 20 milhões de toneladas de grãos estão atualmente bloqueadas nos portos da região de Odessa pela presença de navios de guerra russos e minas, colocadas por Kiev, para defender sua costa.

Em entrevista ao jornal espanhol El País, o ministro das Relações Exteriores ucraniano, Dmytro Kuleba, mostrou-se relativamente confiante em um resultado positivo da reunião.

"Estamos a dois passos de chegar a um acordo com a Rússia", estimou Kuleba. "Se eles realmente quiserem, as exportações de grãos começarão em breve", acrescentou.

Mas Kuleba suspeita que a Rússia esteja bloqueando esses embarques para privar a Ucrânia de recursos. "Sabem que, se exportarmos, receberemos renda dos mercados internacionais, e isso nos tornará mais fortes", disse.

A Turquia, membro da Otan e aliada de ambos os lados no conflito, diz que tem 20 navios mercantes em espera no mar Negro que podem ser rapidamente carregados com grãos ucranianos.

Bombardeios no sul


A reunião em Istambul precede outra que vai acontecer na próxima semana em Teerã, capital do Irã, entre o presidente russo Vladimir Putin e o presidente turco Recep Tayyip Erdogan, à margem de uma cúpula tripartida com o Irã sobre a Síria.

O objetivo de Erdogan é colocar Putin e o presidente da Ucrânia, Volodmir Zelenski, à mesa de negociações, mas por enquanto a situação no terreno não parece permitir isso.

A Ucrânia aguarda uma nova ofensiva russa contra a região de Donetsk, que faz parte do Donbass, parcialmente sob controle de separatistas pró-Rússia desde 2014.

A outra província do Donbass é Lugansk, que as forças russas afirmam estar totalmente sob seu controle.

O Exército russo não lançou uma grande ofensiva desde que reprimiu os últimos redutos de resistência ucraniana em Lugansk no início deste mês.

No entanto, os bombardeios russos, no domingo, em um prédio residencial em Chasiv Yar, na mesma região, deixaram pelo menos 45 mortos, de acordo com o último balanço da segurança ucraniana.

Em Bakhmut, outra cidade de Donetsk, o fogo de artilharia foi ouvido na última terça-feira no centro quase deserto da cidade. "Não dá para fugir da guerra", resumiu Liubov Mokhaieva, agrônoma de 60 anos.

Na frente sul, a Ucrânia disse que atingiu as forças russas em Nova Kakhovka entre segunda e terça-feira, matando 52 soldados e destruindo um depósito de munição.

As autoridades de ocupação instaladas por Moscou denunciaram o ataque como um "ato de terrorismo" no qual casas foram destruídas.

Também no sul, em Mykolaiv, um ataque russo derrubou um prédio, matando pelo menos cinco civis, disse o vice-chefe da administração presidencial, Kiril Tymoshenko.

Ajuda dos EUA e da UE


No contexto da guerra, os Estados Unidos acusaram o Irã de enviar "centenas de drones" para a Rússia, uma informação que Moscou se recusou a comentar nesta quarta-feira.

O Irã reagiu a essas declarações na terça, afirmando que "não há desenvolvimento particular" de cooperação tecnológica com Moscou.

Os drones desempenham um papel crucial nos combates entre o Exército russo e as forças ucranianas, detectando alvos para ataques de artilharia, realizando missões de reconhecimento e lançando ataques.

Washington anunciou na terça que daria mais US$ 1,7 bilhão (R$ 9,1 bilhões) em ajuda à Ucrânia. Isso elevou a ajuda total dos EUA à Ucrânia desde o início da guerra para R$ 21,5 bilhões.

Em Bruxelas, os ministros das Finanças dos países da União Europeia (UE) aprovaram 1 bilhão de euros (R$ 5,43 bilhões) para a Ucrânia, elevando sua contribuição a Kiev para 2,2 bilhões de euros (R$ 11,8 bilhões) desde 24 de fevereiro, quando a Rússia lançou a invasão da Ucrânia.

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