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Discurso de Obama deixa republicanos céticos e encoraja democratas

Internacional|Do R7

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Raquel Godos. Washington, 29 jan (EFE).- As promessas de "Um ano de ação" feitas pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, em seu discurso do Estado da União semearam ceticismo entre republicanos e esperança entre democratas. O discurso, feito na terça-feira à noite (0h de quarta em Brasília), focou na necessidade de reduzir a desigualdade e ampliar a igualdade de oportunidades entre os americanos, mas também serviu para Obama para advertir os legisladores que se o Congresso não tomar medidas para avançar em sua agenda política, ele usará o poder executivo. A repercussão nesta quarta foi bem diferente entre os partidos. Os republicanos do Capitólio rejeitaram de maneira drástica a postura do presidente de atuar de maneira unilateral, principalmente no que se refere às políticas de criação de emprego e de aumento salarial, e insistiram que ele vai conseguir pouco se não contar com a oposição. "A autoridade que tem não permite muito para aqueles que não têm oportunidades nesta economia", disse o presidente da Câmara dos Representantes, o republicano John Boehner. "A verdadeira resposta é que Obama deve reorientar suas prioridades e trabalhar conosco nas coisas que podemos conseguir juntos para criar empregos e promover mais oportunidades", acrescentou. O objetivo da administração é combater as políticas de austeridade baseadas em um cenário de crise econômica, como o aumento do salário mínimo, que o próprio Obama anunciou que reajustaria por ordem executiva pelo menos para os novos funcionários federais, à espera que o Congresso a aprove de maneira geral. Os republicanos também reiteraram sua oposição à lei da reforma de saúde, conhecida como Obamacare, política que o presidente defendeu em seu discurso e que para os conservadores é uma praga. "O presidente Obama teve discursos mais memoráveis. Mas, para sermos justos, é difícil de superar 'se gosta de seu plano de saúde, o senhor pode mantê-lo'", ironizou o governador da Flórida, Rick Scott, em referência aos problemas ocasionados pelo site de contratação de novos planos. "Infelizmente, o que não escutamos ontem à noite foi como vai fazer com que a assistência sanitária seja mais acessível ao retirar sua lei fracassada ou a forma como reverterá as degradantes altas dos valores dos planos aos que foram obrigados os cidadãos da Flórida", acrescentou Scott. O senador republicano Marco Rubio também pôs em dúvida a eficácia da administração Obama em conseguir a reforma migratória em 2014, uma das grandes questões pendentes para o presidente. Rubio, um dos legisladores republicanos mais envolvidos em conseguir fechar um texto sobre a matéria, sugeriu hoje durante um café da manhã organizado pelo jornal "Wall Street Journal" que as partes fundamentais da lei poderiam ficar pelo caminho. "Não sei se vai acontecer este ano, não sei se vai passar com este governo", disse Rubio, filho de imigrantes cubanos. Atualmente, o debate mais polêmico gira em torno de como proporcionar um caminho rumo à cidadania aos mais de 11 milhões de imigrantes ilegais que se calcula haver no país. Enquanto isso, Obama recebeu o apoio de seus companheiros democratas, que aplaudiram suas intenções de conseguir um acordo sobre o sistema de imigração e seu empurrão para conseguir uma alta do salário mínimo. "Apoio a decisão do presidente Obama de aumentar o salário mínimo para os terceirizados que trabalham para o governo. Mas nenhum americano que tenha um emprego deveria viver na pobreza, por isso, o Congresso deve de atuar e aumentar o salário mínimo nacional", reforçou hoje o líder da maioria democrata no Senado, Harry Reid. "Uma classe média vibrante e dar a oportunidade a todos os americanos de entrar na classe média é essencial para a prosperidade de nossa nação", insistiu. O também senador democrata Bob Menéndez disse compartilhar "o otimismo" de Obama para com a força crescente da economia do país e o felicitou por reconhecer que ainda "há muito o que fazer para lutar pela classe média e garantir que todos os americanos tenham uma oportunidade para alcançar seu potencial". Menéndez se declarou "comprazido" pelo renovado compromisso do presidente com a reforma migratória. O documento de princípios sobre a reforma que os republicanos planejam divulgar esta semana é fundamental para permitir que avance a discussão sobre uma lei que, para eles, deve fortalecer a segurança da fronteira e estabelecer um caminho para legalização, mas não para a cidadania. EFE rg/cd

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