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‘É caótico e está cada vez pior’: já se passou um mês da crise migratória e em Ceuta continuam o medo e o cansaço

Cerca de 5.000 migrantes permanecem na cidade, complicando a convivência e resultando em manifestações

Internacional|Pau Mosquera, da CNN Internacional

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Quase 2.150 pessoas morreram na Espanha em agosto devido ao calor extremo.
  • Catalunha foi a região mais afetada, com 1.164 mortes.
  • Idosos foram o grupo mais vulnerável, com 2.064 mortes entre pessoas com mais de 65 anos.
  • Previsão de calor atípico no início de setembro, com temperaturas acima de 35ºC.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Governo espanhol é criticado pela oposição por não gerenciar adequadamente a crise Jon Nazca/Reuters - 31.07.2026

Terminado o período de férias de verão, chega a hora de retomar a rotina. Para os adultos, isso significa voltar ao trabalho; para as crianças, retornar às escolas.

No entanto, este não será um início de ano letivo normal para os habitantes da cidade espanhola de Ceuta, no norte da África. “É caótico, inseguro, temos medo e está cada vez pior”, diz à CNN Internacional a moradora de Ceuta, Marina Rovira.


Suas palavras descrevem a tensão que vem crescendo nesta Cidade Autônoma de 83 mil habitantes desde o final de julho, quando cerca de 70 mil migrantes cruzaram de forma irregular a partir do Marrocos para chegar a esta localidade situada na margem africana do estreito de Gibraltar.

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“Muitas mulheres não querem e não podem sair sozinhas na rua. Temos que sair acompanhadas de homens, ou simplesmente não saímos; e sempre com spray”, acrescenta a jovem de 29 anos.


Embora a maioria dos migrantes tenha retornado voluntariamente ao país vizinho nos dias seguintes, cerca de 5.000 pessoas, segundo estimativas do Governo da Espanha, continuam na cidade. Este fato tem provocado tensão, complicado a convivência e ocasionado várias manifestações.

Um dos momentos mais tensos ocorreu na última quinta-feira (27), quando algumas pessoas que protestavam contra a pressão migratória tentaram bloquear a distribuição de comida liderada pela Cruz Vermelha aos recém-chegados, ou quando outras atearam fogo em parte de um acampamento que os migrantes haviam montado em uma praia da localidade.


Tudo isso apesar da forte mobilização de 1.600 agentes da Polícia Nacional e da Guarda Civil.

“Quer dizer, tenho que permitir que meus filhos vão para a escola com a insegurança que existe e, além de tudo, com tudo cheio de militares e policiais?”, questiona Rovira, mãe de duas meninas e um menino de idades entre 7 e 3 anos, diante do iminente início do ano letivo, previsto para o próximo dia 8 de setembro. “Sobre o que essas crianças vão falar? Eles roubaram o verão delas!”.


Por esse motivo, Rovira iniciou um abaixo-assinado na plataforma Change.org para pressionar contra a abertura das escolas de Ceuta até que a localidade recupere a normalidade.

O Ministério da Educação, Formação Profissional e Esportes anunciou que reforçará a presença policial no território para garantir a segurança dos menores, tanto no transporte escolar quanto no acesso às escolas.

Mas isso não foi suficiente para acalmar os ânimos de Rovira nem de outros pais. Tanto é que, até o momento, sua iniciativa já reúne mais de 5.500 assinaturas. Muitas delas, garante ela, pertencem a outros pais e mães de Ceuta que sentem a mesma insegurança e se perguntam quando a tranquilidade retornará.

Refletindo esse mal-estar social, as críticas ao governo não cessaram na esfera política. A oposição vem acusando constantemente o presidente, Pedro Sánchez, e o restante do Executivo de omissão e de não gerenciar corretamente esta crise migratória.

Como exemplo, o presidente do Partido Popular, Alberto Núñez-Feijóo, acusou o Executivo de estar ausente e de “fechar para férias” em meio a uma crise de “proporções sem precedentes”.

Sánchez, por sua vez, em entrevista concedida nesta segunda-feira (7) à emissora nacional de rádio Cadena SER (Sociedad Española de Radiodifusión) — a primeira após a onda de migrantes que cruzou entre os dias 30 e 31 de julho —, reconheceu a situação inédita: “Assumimos a responsabilidade, eu em primeiro lugar, pela situação enfrentada por Ceuta”, afirmou. Ele acrescentou, contudo, ter a convicção de “que Ceuta sairá desta situação muito mais fortalecida”.

Mas, para que isso aconteça, primeiro é necessário regularizar a situação administrativa desses cerca de 5.000 migrantes. Ou seja, acolhê-los ou repatriá-los conforme cada caso.

E esse processo não estaria ocorrendo com a agilidade necessária, segundo estima o presidente de Ceuta, Juan Jesús Vivas. Em 20 de agosto, Vivas assegurou que estão sendo tramitados entre “25 e 30” processos de repatriação de migrantes por dia.

“Nesse ritmo, as pessoas que chegaram levariam pelo menos um ano para sair de Ceuta”, detalhou. Razão pela qual solicitou ao governo mais recursos e capacidade para administrar esse cenário.

Diante do quadro, Sánchez reconheceu estar “muito ciente de que todos os recursos são insuficientes”, mas defendeu que estão agindo de acordo com o que “a lei determina”. Ou seja, seguindo o marco legal pelo qual devem ocorrer as repatriações, mas respeitando, ao mesmo tempo, a “dignidade humana”.

Nesse sentido, Sánchez declarou estar confiante de que o trabalho administrativo desenvolvido na região será concluído em “prazos razoáveis”. “Vamos tentar agilizá-los ao máximo”, pontuou, embora sem detalhar datas.

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