Egito pede à Alemanha a extradição de jornalista da "Al Jazeera"
Internacional|Do R7
Cairo, 21 jun (EFE).- O procurador-geral egípcio, Hisham Barakat, pediu neste domingo às autoridades alemãs a entrega do jornalista da emissora de televisão catariana "Al Jazeera", Ahmed Mansur, retido no sábado no aeroporto de Berlim por uma ordem internacional de detenção emitida pelo Egito. A agência de notícias egípcia "Mena" informou que Barakat fez o pedido em um memorando enviado à Alemanha, devido a que Mansur foi condenado à revelia a 15 anos de prisão por seu envolvimento na tortura de uma pessoa na praça Tahrir, no Cairo, durante a revolução de janeiro de 2011. Nesse sentido, a solicitação foi enviada com uma cópia da decisão judicial, traduzida ao alemão, que foi ditada pelo Tribunal Penal do Cairo. O pedido acontece horas depois que fontes da procuradoria de Berlim afirmaram estar "revisando" a ordem de detenção internacional. Por sua vez, a organização Repórteres sem Fronteiras (RSF) criticou a Alemanha por deter o jornalista egípcio e se perguntou se "Berlim é cúmplice do regime autoritário egípcio". Segundo a agência oficial egípcia, em dita solicitação se explica os delitos nos quais esteve envolvido o jornalista junto a outros membros do grupo islamita Irmandade Muçulmana, declarado "terrorista" pelas autoridades egípcias. Toda esta documentação foi remetida também à Interpol e à embaixada egípcia em Berlim para que adotem todas as medidas jurídicas neste assunto, em cumprimento com os tratados internacionais, segundo a "Mena". Já o canal de televisão do profissional retido pediu a libertação imediata de Mansur. "A repressão contra os jornalistas por parte das autoridades egípcias é bem conhecida (...) Outros países não devem ser ferramentas dessa opressão contra a imprensa e ainda menos aqueles que respeitam a liberdade de imprensa como a Alemanha", ressaltou em uma nota o diretor-geral da "Al Jazeera", Mostafa Suag. Mansur, um veterano e reconhecido jornalista da "Al Jazeera", foi retido ontem quando se dispunha a tomar um voo da Catar Airways para Doha, após entrevistar um analista alemão. Mansur alega que o caso pelo qual foi condenado foi "inventado" e que a própria Interpol rejeitou a solicitação do Egito de detê-lo. As autoridades egípcias perseguiram e sentenciaram a penas de prisão vários jornalistas da "Al Jazeera", emissora à qual acusam de colaborar com a Irmandade Muçulmana e de divulgar notícias que prejudicam a imagem e a segurança do país. EFE aj/rsd











