ElBaradei é acusado de traição por renunciar no Egito
Internacional|Do R7
Cairo, 20 ago (EFE).- O ex-vice-presidente do Egito Mohamed ElBaradei, que renunciou ao cargo na semana passada por discordar da repressão em relação aos islamitas, foi denunciado por "traição à confiança" dos grupos que o apoiavam. Al Sayed Atiq, advogado e professor de Direito Penal da universidade de Heluán, no Cairo, explicou nesta terça-feira em declaração à Agência Efe que moveu uma ação civil contra o prêmio Nobel da Paz 2005 ao considerar que com sua renúncia ao cargo "violou o contrato" que o ligava a diferentes grupos políticos. "Tamarrud e outros grupos revolucionários como a Associação Nacional para a Mudança e a Frente 30 de Junho elegeram ElBaradei como seu representante. Graças a isso, que representa um contrato, ele foi eleito vice-presidente. ElBaradei não podia renunciar sem pedir antes a autorização a esses grupos", disse Atiq. Segundo o advogado, um tribunal do bairro de Cidade Nasser marcou para 19 de setembro a primeira audiência do caso, embora essa informação não tenha sido confirmada pela Efe. "Qualquer pessoa que considerar que seus interesses foram prejudicados pode apresentar essa denúncia no Egito", disse Atiq, que assegurou que sua motivação "não foi política, visando ao direito civil". Há dois dias, ElBaradei deixou o país após renunciar porque, segundo explicou, não se considerava capaz de assumir a responsabilidade do derramamento de sangue nem de decisões com as quais não estava de acordo. ElBaradei estava no cargo desde 14 de julho, depois do golpe de Estado militar que depôs o então presidente, o islamita Mohammed Mursi, no dia 3 do mesmo mês. EFE ms-er/tr
