Em posse histórica, presidente sul-coreana endurece discurso contra vizinho
Internacional|Do R7
Atahualpa Amerise. Seul, 25 fev (EFE).- A conservadora Park Geun-hye, que nesta segunda-feira fez história ao se transformar na primeira mulher presidente da Coreia do Sul, prometeu tolerância zero com o desenvolvimento nuclear norte-coreano em discurso de posse centrado na segurança e na economia. "Prometo não tolerar nenhuma ação que ameace a vida de nosso povo e a segurança de nossa nação", disse Park em referência ao recente teste nuclear da Coreia do Norte. Cerca de 70 mil pessoas, segundo dados do governo, enfrentaram o frio para participar do ato de posse. Em uma longa cerimônia realizada em frente à Assembleia Nacional, Park Geun-hye, de 61 anos, jurou seu cargo como chefe de Estado da Coreia do Sul para a próxima meia década. A presidente afirmou que pretende substituir a tensão existente nas relações com o país vizinho e comunista pelo entendimento e a negociação. A nova governante propôs abrir um processo de "construção de confiança" que permita estabelecer os fundamentos de uma futura Coreia unificada após mais de seis décadas de divisão. Para isso, pediu que a Coreia do Norte "abandone sem demora suas ambições nucleares". O teste nuclear norte-coreano do dia 12 de fevereiro, o terceiro após 2006 e 2009, fez disparar os alarmes na Coreia do Sul, que considera uma ameaça a sua segurança o cada vez mais avançado programa de armas atômicas do desafiante regime de Kim Jong-un. No plano econômico, Park prometeu incentivar as indústrias da ciência e da comunicação para conseguir um segundo "milagre do rio Han", como é conhecido o vertiginoso desenvolvimento da Coreia do Sul nas últimas décadas. A receita da presidente para combater a crise global também incluirá a "democratização econômica", que consiste em aumentar o poder aquisitivo da classe média e defender as pequenas e médias empresas frente ao oligopólio dos grandes conglomerados que dominam a economia do país. Antes do esperado discurso da presidente, foi feito um minuto de silêncio pelos mártires patriotas do país, que precedeu o estrondo de "Gangnam Style", que o cantor sul-coreano Psy, novo ídolo nacional, interpretou ao vivo. Protegida por um forte aparato de segurança, Park Geun-hye se dirigiu depois ao palácio presidencial, a Casa Azul, lar de sua infância que há 34 anos teve que abandonar após o assassinato de seu pai, o ditador Park Chung-hee, por seu próprio chefe de inteligência, em 1979. Sob esse mesmo teto sua vida já tinha ficado ligada de forma trágica e inseparável à política, quando em 1974 um espião norte-coreano assassinou sua mãe. Park, então com 22 anos, assumiu o cargo de primeira-dama de um regime que plantou a semente do desenvolvimento na Coreia do Sul entre graves violações dos direitos humanos. A emoção do retorno de Park Geun-hye hoje à Casa Azul foi tão intensa como sua agenda política, que incluiu reuniões bilaterais com o ministro das Finanças japonês, Taro Aso, a conselheira de Estado da China, Liu Yandong, e a ex-presidenta chilena Michelle Bachelet. A presidente, que também assumiu automaticamente o cargo de comandante-em-chefe do Exército, substitui à frente do país Lee Myung-bak, seu companheiro do partido conservador Saenuri que chegou no final de seu mandato desgastado pela queda do crescimento econômico e suspeitas de corrupção. O desgaste de seu antecessor levou Park a propor um programa político mais conciliador e centrista, que compensou carências como a ausência da espontaneidade em seus discursos e lhe deu uma apertada vitória nas urnas, em 19 de dezembro, contra seu rival progressista. EFE aaf/dk (áudio) (foto)








