Enviado especial para a Síria pede mudança com governo de transição até eleições
Rússia desmentiu ter concluído acordo com os EUA para que Bashar al Assad permaneça no cargo até o fim do mandato que termina em 2014
Internacional|Do R7

O emissário internacional para a Síria, Lakhdar Brahimi, pediu nesta quinta-feira uma mudança real com um governo de transição com plenos poderes que dirigiria o país até a realização de eleições, com o objetivo de acabar com 21 meses de conflito.
Brahimi, enviado especial da ONU e da Liga Árabe para a Síria, não informou o que aconteceria com o presidente sírio Bashar al Assad, no momento em que a Rússia desmentiu ter concluído um acordo com os Estados Unidos para que o presidente permaneça em seu cargo até o fim de seu mandato atual, em 2014, sem poder ser candidato à reeleição.
— A mudança exigida não pode ser cosmética, o povo sírio precisa e exige uma mudança real, e tudo isso o mundo entendeu. É preciso formar um governo com todos os poderes (...) que assumirá o poder durante o período de transição. Esse período transitório terminará com eleições. O período de transição não tem de conduzir ao colapso do Estado e de suas instituições.
Apoio
Uma fonte diplomática do Conselho de Segurança da ONU indicou na quarta-feira que Brahimi não recebeu o apoio de nenhuma das partes desde que chegou à Síria, no último domingo.
Assim, não haveria nenhuma vontade negociadora por parte do presidente sírio, com quem Brahimi se reuniu na segunda-feira. O chefe de Estado se apoia em uma "jovem guarda" partidária de uma guerra sem concessões, segundo os especialistas.
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Por sua vez, os rebeldes também rejeitaram "as soluções propostas por Brahimi" e insistiram que Assad e todas as autoridades políticas, militares e de segurança devem deixar o poder, indicaram os comitês locais de coordenação (LCC).
O Conselho de Segurança da ONU tampouco forneceu ao emissário internacional "o tipo de apoio de que necessita", considerou esta fonte diplomática.
Rússia
Brahimi deverá se reunir com líderes russos no sábado a pedido seu, indicou Moscou.
A Rússia desmentiu nesta quinta-feira a existência de um plano conjunto com os Estados Unidos para tirar a Síria da crise, depois que a imprensa especulou sobre uma iniciativa que manteria Assad no poder até 2014. O porta-voz do ministério russo das Relações Exteriores, Alexander Lukashevich, afirmou:
— Não houve e não há tal plano, e não está sendo negociado.
Brahimi também negou que houvesse um plano desse tipo. O emissário internacional afirmou que havia apenas proposto um acordo entre russos e americanos.
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A Rússia afirmou em várias oportunidades que não apoiará Assad, mas que tampouco tentará convencê-lo a renunciar, por considerar que corresponde aos sírios decidir o futuro de seu país.
Jordânia e Israel
Também no plano diplomático, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, se reuniu recentemente em Amã com o rei da Jordânia, Abdullah II, para falar da situação na Síria, afirmou nesta quinta-feira a imprensa israelense.
O primeiro-ministro israelense teria discutido com o rei jordaniano a questão das armas químicas supostamente em poder de Assad.
A violência na Síria deixou mais de 45 mil mortos, em sua maioria civis, desde o início da mobilização contra o regime de Assad, há 21 meses, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), uma ONG opositora radicada no Reino Unido e que se baseia em uma ampla rede de ativistas e fontes médicas.









