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EUA admitem entrave no Líbano e avisam que ‘a paz nunca é fácil’ antes de tratar acordo com o Irã

Ontem, aiatolás anunciaram fechamento do estreito de Ormuz de novo devido a disparos de Israel contra terroristas do Hezbollah

Internacional|Do R7, com Reuters

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JD Vance, vice-presidente dos EUA, em frente a um painel com a inscrição 'Lucerna'
Vice dos EUA está na Suíça para dialogar com iranianos e selar acordo de paz definitivo Nathan Howard/Pool/Reuters – 21.06.2026

As delegações dos Estados Unidos e do Irã já estão em um resort em Stansstad, perto de Lucerna, na Suíça, para selar um acordo de paz definitivo. O representante dos americanos é o vice-presidente do país, JD Vance, enquanto Mohammad Baqer Qalibaf chefia os negociadores iranianos.

A mediação do acordo final permanece sob o comando do primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif.


Antes do encontro com os iranianos, Vance lembrou que Donald Trump se comprometeu a um “cessar-fogo total” na região e avisou que os americanos “fizeram mais esforços no Líbano do que qualquer outro país nos últimos meses”. Mesmo assim, advertiu que a paz duradoura exige concessões.

“A paz nunca é fácil. A paz sempre exige um pouco de trabalho. Sempre exige um pouco de concessões mútuas [...]. Mas o presidente dos Estados Unidos está comprometido não apenas com a paz entre os Estados Unidos e o Irã — o presidente está comprometido com uma paz regional; é por isso que estamos aqui trabalhando tão arduamente para resolver nossas questões”, disse.


Quanto ao Líbano, Vance disse que se sente bem em relação à situação atual das relações diplomáticas com os EUA, mas admitiu que há esforços necessários pela paz. “Ainda há trabalho duro pela frente, mas vamos continuar empenhados nisso”, completou.

Cessar-fogo no Irã

Na última quarta-feira (17), os presidentes Donald Trump e Masoud Pezeshkian acertaram um cessar-fogo de 60 dias até a assinatura de um pacto duradouro de paz – a reunião de hoje é mais um passo para isso.


Porém, os bombardeios de Israel ao Líbano ontem, que têm como alvo os terroristas do Hezbollah, motivaram o anúncio pela Guarda Revolucionária Islâmica de um novo fechamento do estreito de Ormuz – os EUA não reconheceram “evidências” de que o corredor marítimo está mesmo fechado.

Os iranianos são aliados históricos dos rebeldes libaneses, enquanto os americanos são ligados aos israelenses. A indefinição sobre os ataques ao Líbano é o principal desafio para o fechamento de um trato duradouro agora na Suíça.


Paz duradoura

Vance chegou ao pitoresco resort de Bürgenstock — acessível por uma estrada estreita que serpenteia por colinas arborizadas e passa por vários pontos de controle de segurança guarnecidos por guardas armados — após pousar na Base Aérea de Emmen na manhã de domingo com a segunda-dama, Usha Vance.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã declarou à imprensa estatal que o país realizaria reuniões com os intermediários Catar e Paquistão mais cedo naquele dia, acrescentando que também ocorreria uma reunião quadrilateral entre Irã, Estados Unidos, Catar e Paquistão.

Além de Qalibaf, também estão presentes o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, e altos funcionários iranianos das áreas de segurança, do banco central e do setor petrolífero.

Estreito de Ormuz fechado

O Irã alertou os navios para que não se aproximassem da via navegável, um canal vital para o abastecimento global de petróleo e gás, citando o que chamou de “crimes” israelenses no Líbano e uma violação dos compromissos dos EUA de estabelecer um cessar-fogo. A Guarda afirmou que a segurança das embarcações estaria em risco caso se aproximassem do estreito.

O Comando Central dos EUA, no entanto, informou que 55 navios mercantes haviam transitado pelo estreito no sábado, transportando grandes quantidades de carga e mais de 17 milhões de barris de petróleo para os mercados globais, e que as forças americanas garantiriam a continuidade do tráfego marítimo.

Mohammad Mokhber, assessor do líder supremo iraniano, o aiatolá Mojtaba Khamenei, acusou os EUA em X de não cumprirem a primeira cláusula do acordo provisório de 14 pontos com o Irã, que inclui um cessar-fogo “em todas as frentes”, incluindo o Líbano.

Ele afirmou que, enquanto o acordo permanecer apenas no papel, o fluxo de energia do Oriente Médio continuará interrompido.

Israel fora das conversas

Bomba explode no Líbano e morador observa a coluna de fumaça
Ataques ao sul do Líbano são o principal entrave para o avanço das negociações de paz entre EUA e Irã Stringer/Reuters – 20.06.2026

Uma das condições para o início das negociações de 60 dias entre os EUA e o Irã sobre o programa nuclear de Teerã e outras questões é a suspensão dos combates no Líbano.

No entanto, a Defesa Civil libanesa informou que 16 pessoas foram mortas por ataques israelenses no Líbano no sábado, poucas horas após a trégua ter entrado em vigor no país. Israel afirmou que estava respondendo a ataques do Hezbollah, enquanto o grupo apoiado pelo Irã declarou que não permitiria a Israel “liberdade de movimento” no Líbano.

Israel, que ficou de fora das negociações, afirma não ser parte do acordo entre o Irã e os EUA e que manterá suas forças no território libanês que ocupa.

A agência de notícias estatal do Líbano, NNA, informou que aviões de guerra e drones israelenses atacaram locais no sul do Líbano e no Vale do Bekaa no sábado, ambos redutos do Hezbollah.

O serviço de defesa civil informou que 16 pessoas morreram nos ataques.

Um oficial militar israelense disse que o Hezbollah disparou mais de 50 projéteis contra as forças israelenses no sul do Líbano durante a madrugada, e que Israel atacou o que descreveu como alvos do Hezbollah em resposta.

Um comunicado militar afirmou que Israel está comprometido com o cessar-fogo e continuará a agir contra qualquer ameaça a Israel ou às suas forças.

O Ministério da Saúde do Líbano afirma que 4.057 pessoas foram mortas em ataques israelenses desde 2 de março, incluindo profissionais de saúde, mulheres e crianças, embora não especifique quantos dos mortos eram combatentes.

As autoridades israelenses afirmam que pelo menos 32 soldados e quatro civis foram mortos nos combates contra o Hezbollah.

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