Ex-funcionário da CIA acusado de roubar agência recebeu ordens para ficar na prisão antes de julgamento
Promotores alegam que o suspeito tem meios e motivação para fugir caso saia da prisão
Internacional|Holmes Lybrand e Zachary Cohen, da CNN Internacional
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Um ex-oficial sênior da CIA (Central Intelligence Agency), cujo caso ganhou as manchetes depois que agentes do FBI (Federal Bureau Of Investigation) encontraram mais de US$ 40 milhões (cerca de R$ 204 milhões) em barras de ouro em sua casa na Virgínia, continuará preso aguardando o julgamento do caso, determinou um juiz federal na sexta-feira (5).
Durante a audiência de custódia de sexta-feira de David Rush, que supostamente mentiu sobre sua formação acadêmica e histórico militar em formulários para ingressar e ser promovido dentro da agência, os promotores chamaram o ex-oficial da CIA de “mestre manipulador”.
“O Sr. Rush está em um mundo de problemas”, disse o promotor Gavin Tisdale ao juiz federal William Fitzpatrick em Alexandria, Virgínia, na manhã de sexta-feira — argumentando que Rush tinha os meios e a motivação para fugir. “O Sr. Rush simplesmente não é confiável”.
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Rush foi acusado de roubar dinheiro público acima de US$ 77 mil (cerca de R$ 394 mil) em licenças militares remuneradas que os promotores disseram que ele não tinha direito a receber, por ter sido dispensado honrosamente em 2015. Ele ainda não se declarou culpado ou inocente.
A prisão de Rush provocou uma reação dentro da CIA.
Vários funcionários de escalão inferior da CIA foram colocados em licença e outros oficiais mais sêniores foram remanejados devido à forma como gerenciaram os pedidos de dinheiro de Rush ou por não terem percebido os alertas internos iniciais de que seus pedidos poderiam não ser uma parte legítima de seu trabalho, de acordo com uma fonte familiarizada com o assunto.
A CNN Internacional entrou em contato com a CIA para obter comentários.
O diretor da CIA, John Ratcliffe, ao lado do procurador-geral interino Todd Blanche e do diretor do FBI, Kash Patel, também informaram os principais parlamentares no Capitólio e o presidente Donald Trump sobre o caso, disseram quatro fontes familiarizadas com as reuniões à CNN Internacional.
O juiz Fitzpatrick disse na audiência de sexta-feira que a apresentação de provas não foi fornecida nesta fase do caso e que “o cerne da denúncia” contra Rush “são essencialmente declarações falsas”, mas acabou decidindo que Rush tinha “os meios e o motivo” para apresentar um risco de fuga.
“O governo claramente cumpriu com o seu ônus”, disse Fitzpatrick, acrescentando que, à medida que mais evidências forem fornecidas à defesa, eles poderão entrar com uma moção para reconsiderar a ordem de prisão.
De acordo com a declaração juramentada do FBI, Rush mentiu sobre sua formação educacional, bem como sobre seu serviço militar durante várias inscrições para a CIA, inclusive em um pedido de promoção.
“Estamos aqui por uma única acusação de fraude de cartão de ponto”, argumentou a advogada de Rush, Jessica Carmichael, na sexta-feira, observando que todas as barras de ouro — que trouxeram atenção nacional para o caso — foram contabilizadas no porão de Rush, trancadas em um cofre.
“As barras de ouro solicitadas e aprovadas estão todas contabilizadas”, disse sua advogada, observando que a CIA havia dado o ouro ao seu cliente por trabalho e que ele não foi acusado por esses fundos solicitados.
Tisdale disse que Rush “não deveria ter esse tipo de fundos em sua casa” e, embora o fato de o FBI ter encontrado todas as barras de ouro “possa ser uma boa notícia para o Sr. Rush”, o caso contra ele fica mais forte “a cada dia”.
Além de seu pedido para as barras de ouro, que os promotores disseram ter sido armazenadas incorretamente em sua casa, Rush também solicitou uma quantidade significativa de moeda estrangeira, disseram os promotores, grande parte da qual permanece desaparecida.
“Não é trabalho da defesa” prestar contas da moeda estrangeira, disse Carmichael, acrescentando que está agindo com uma “venda nos olhos” sobre as “novas acusações sensacionalistas” da audiência sigilosa desta manhã.
A parte pública da audiência seguiu-se a uma sessão a portas fechadas que durou 40 minutos na qual o juiz ouviu mais evidências do governo sobre o caso.
Tisdale também disse que Rush comprou mercadorias que podem ajudar a tornar os fundos e as compras mais difíceis de descobrir, incluindo os 35 relógios de luxo apreendidos em sua casa em maio.
Carmichael argumentou que, embora “algumas dessas alegações” contra seu cliente “soem bizarras e secretas”, a própria natureza da CIA e de seu trabalho é frequentemente “bizarra e secreta”.
A advogada de Rush também disse ao juiz que precisa que os promotores lhe digam “os protocolos específicos que são necessários” para obter os fundos que Rush guardava.
Carmichael concluiu argumentando que as barras de ouro eram agora um “não-problema” e que os argumentos do governo para a prisão baseavam-se em “alegações vagas”.
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