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Famoso "advogado do terror", Jacques Vergès morre aos 88 anos na França

Internacional|Do R7

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Paris, 16 ago (EFE).- O francês Jacques Vergès, personagem muito midiático e polêmico que o cineasta Barbet Schroeder retratou no documentário "O Advogado do Terror", morreu ontem aos 88 anos de idade, informou nesta sexta-feira a imprensa local. Nascido em 1925 na Tailândia, sendo filho vietnamita com francês, sua figura é ligada à defesa de criminoso de guerra, como o nazista Klaus Barbie; o cambojano Khieu Sampham, cabeça do regime de terror imposto pelo Khmer Vermelho, e o terrorista venezuelano Ilich Ramírez Sánchez, conhecido como "Carlos". Sua clientela, segundo a imprensa francesa, inclui igualmente integrantes da extrema esquerda europeia, caso do ex-presidente sérvio e iugoslavo Slobodan Milosevic e os terroristas libaneses Georges Ibrahim Abdallah e Anis Naccache. Vergès, que publicou mais de 20 livros, serviu as Forças Francesas Livres (FFL) do general De Gaulle em 1941, combateu na Argélia, no Marrocos, na Itália e na França, encerrando a faculdade de Direito em 1955. Apelidado por seus opositores como "o chinês", Vergès é considerado o criador da chamada "estratégia de ruptura", na qual, ao invés de tentar minimizar os fatos e obter a indulgência dos juízes, ele questionava o sistema judiciário e negava a legitimidade do tribunal. Pai de dois filhos, frutos de sua relação com a militante da Frente de Libertação Nacional (FLN) Djamila Bouhired, quem, segundo ele, teria conhecido "na saída de uma sala de tortura", o advogado não fugia da polêmica. "Estaria disposto a defender Hitler? Certamente e, inclusive, George W. Bush. Estou disposto a defender todo o mundo (...) desde que tenham sido culpados", assegurou o advogado no documentário de Schröder. "O que precisamos nos lembrar de Vergès é o talento, a coragem, o compromisso e o sentido da contradição. Um advogado não é um mercenário, é um cavalheiro. E Jacques Vergès era um cavalheiro", afirmou ontem à noite o ex-presidente do Conselho Nacional de Advocacia, Christian Charrière-Bournazel. EFE mgr/fk

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