Após críticas dos EUA, Israel vincula retirada do Líbano ao desarmamento de grupo terrorista
Hezbollah se opõe a negociações e rejeita condições para a retirada israelense
Internacional|Da Reuters
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Israel não se retirará do sul do Líbano até que o grupo terrorista Hezbollah seja desarmado, afirmou o ministro da Defesa israelense nesta quinta-feira (13).
A afirmação é uma resposta a declarações feitas no dia anterior, que geraram críticas dos EUA e sugeriam que forças israelenses ocupariam o território por tempo indeterminado.
Israel tomou uma faixa do sul do Líbano durante a guerra com os terroristas do Hezbollah no início deste ano e afirmou que manterá forças na região para proteger o norte israelense de ataques do grupo apoiado pelo Irã.
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A ofensiva de Israel desalojou centenas de milhares de libaneses, a maioria deles membros da base eleitoral xiita do Hezbollah.
Durante uma visita ao sul do Líbano na quarta-feira (12), o ministro da Defesa, Israel Katz, disse que ele e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, haviam sido “inequivocamente claros” ao afirmar que “não vamos nos retirar desta zona de segurança”, acrescentando: “vamos limpar esta área e garantir a segurança dos moradores do norte”.
Após sua declaração, um funcionário do Departamento de Estado dos EUA afirmou que uma presença militar israelense permanente no sul do Líbano não é compatível com os compromissos estabelecidos no acordo de Israel com o governo libanês, apoiado pelos EUA.
O acordo prevê uma retirada progressiva de Israel, vinculada ao desarmamento comprovado do Hezbollah.
“Os Estados Unidos esperam que todas as partes ajam de maneira consistente com o Acordo-Quadro que concordaram em seguir, e Israel afirmou claramente que não tem ambições territoriais no Líbano”, disse o funcionário norte-americano em declarações por escrito distribuídas aos jornalistas.
O grupo terrorista Hezbollah, fundado pela Guarda Revolucionária do Irã em 1982, opõe-se veementemente às negociações de Beirute com Israel e descartou qualquer discussão sobre seu armamento antes da retirada israelense.
“Presença prolongada”
Nesta quinta-feira, Katz afirmou que Israel “não se retirará da zona de segurança no Líbano enquanto o Hezbollah não for desarmado e a ameaça do Hezbollah em todo o Líbano não for eliminada”.
“Instruí as IDF (Forças de Defesa de Israel) a se prepararem para uma presença prolongada na área a fim de proteger as forças de combate e as comunidades, até que esse objetivo seja plenamente alcançado”, acrescentou Katz em uma cerimônia que marcou a fundação de um assentamento israelense na Cisjordânia ocupada.
O partido Likud, de Benjamin Netanyahu, ao qual Katz pertence, busca reforçar suas credenciais em matéria de segurança entre os eleitores antes das eleições de 27 de outubro — as primeiras em Israel desde os ataques liderados pelo Hamas em 7 de outubro de 2023.
A declaração de Katz ecoou comentários recentes de Netanyahu sobre Gaza e o grupo terrorista Hamas. No domingo (9), Netanyahu afirmou que o mais recente plano para Gaza do presidente dos EUA, Donald Trump, era “inaceitável” e que Israel não se retiraria antes que o Hamas fosse desarmado.
O acordo mediado pelos EUA entre o Líbano e Israel mantém as tropas israelenses dentro do Líbano até que o grupo terrorista Hezbollah seja desarmado e as Forças Armadas libanesas assumam o controle do sul, um processo que envolve “zonas-piloto”.
O representante do Departamento de Estado dos EUA disse que as Forças Armadas libanesas estão implementando as primeiras zonas-piloto e que Washington “continuará a apoiar a implementação total desse processo”.
Hussam Mneimeh, morador de Beirute, disse que Israel “não pode continuar como ocupante”.
“Já houve experiências anteriores... eles ocuparam o Líbano e depois se retiraram de uma forma ou de outra, seja por meio de negociações políticas, seja por meio da guerra”, disse ele.
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