Fifa precisa se comprometer mais com direitos humanos, diz relatório independente
Internacional|Do R7
Por Scott Malone
BOSTON (Reuters) - A Fifa precisa fazer dos direitos humanos um de seus principais objetivos, alinhando-o com o incentivo ao esporte e obtenção de lucro, de acordo com as recomendações de um ex-funcionário de alto escalão da Organização das Nações Unidas (ONU) divulgadas nesta quinta-feira.
A entidade que administra o futebol mundial, assolada recentemente por escândalos de corrupção, deveria estar preparada para usar seu poder de negociação para fazer com que os países que competem para sediar a Copa do Mundo protejam os direitos das pessoas que constroem os estádios, disse John Ruggie, ex-representante especial do secretário-geral da ONU para negócios e direitos humanos, no relatório de 42 páginas.
"É necessária uma mudança cultural que deve afetar tudo que a Fifa faz e como o faz", afirmou o documento, feito a pedido da entidade de 112 anos que congrega 209 associações nacionais. "Isto inclui... criar e usar sua influência para abordar estes riscos com a mesma determinação com que se empenha em interesses comerciais".
Sediada em Zurique, a Fifa mergulhou em um turbilhão no ano passado devido às investigações criminais de corrupção no esporte em andamento nos Estados Unidos, onde vários ex-dirigente foram indiciados, e na própria Suíça.
As recomendações vieram à tona duas semanas após a Anistia Internacional detalhar abusos de direitos humanos cometidos nos preparativos do Catar para o Mundial de 2022, entre eles a cobrança de taxas de recrutamento de operários do Nepal e da Índia e moradias insalubres. As autoridades do Catar disseram estar trabalhando para resolver os problemas.
O relatório exortou a Fifa a se ater aos Princípios Orientadores de Negócios e Direitos humanos da ONU, o que significaria insistir que os países-sede da Copa respeitem os padrões de proteção de todos os trabalhadores e deixar claro que pode cortar laços com entidades que violem estes padrões.
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, eleito para chefiar a organização depois que seu antecessor, Joseph Blatter, foi afastado do esporte por seis anos em resultado dos escândalos de corrupção, disse que a entidade irá implementar as recomendações de Ruggie.
"A Fifa está totalmente comprometida com o respeito aos direitos humanos", afirmou.












