Fim de semana de golfe motiva críticas sobre relação de Obama com imprensa
Internacional|Do R7
Miriam Burgués. Washington, 22 fev (EFE).- O fim de semana que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, passou na semana passada na Flórida jogando golfe ao lado de Tiger Woods gerou críticas sobre a relação do governante com a imprensa, que se queixa cada vez mais do difícil acesso ao líder. Para o ex-setorista da Casa Branca do jornal "USA Today" e atualmente professor da American University, Richard Benedetto, o fim de semana em um clube exclusivo para a prática do esporte "é só um símbolo do que está se passando durante a presidência de Obama, há um padrão de excluir", A jornalista Anne Compton, que há anos cobre a Casa Branca para a emissora "ABC", disse para o site "Politico" que o acesso a Obama diminuiu nos últimos dois anos e que a presidência "faz todo o possível por manter a imprensa longe". Um exemplo disso foi o fim de semana passado, quando Obama foi descansar com amigos e praticar uma de suas paixões, o golfe, no Floridian Yacht and Golf Club, em Palm City, enquanto sua esposa e duas filhas esquiavam no Colorado. A imprensa que acompanha normalmente o presidente não pôde entrar no complexo, apenas um jornalista de uma publicação especializada em golfe, que foi o primeiro a informar, por meio do Twitter, que Obama estava no local com Tiger Woods. A presidência confirmou horas depois que Obama e Woods estavam jogando juntos, mas negou a entrada dos jornalistas no clube, o que motivou uma queixa formal da Associação de Correspondentes da Casa Branca. O presidente da associação, o jornalista da emissora "Fox" Ed Henry, denunciou a "extrema frustração" dos jornalistas. "Há um princípio muito simples, mas importante e pelo qual vamos seguir lutando, a transparência". Segundo Benedetto, que cobriu todas as presidências desde Ronald Reagan a George W. Bush, Obama é muito mais fechado à imprensa do que seus antecessores. Ao contrário de Obama, os presidentes anteriores aceitavam pelo menos uma pergunta nas sessões de fotos anteriores a reuniões e davam entrevistas coletivas mais longas, comentou o ex-correspondente ao jornal "The Washington Times". Para Steven Kurlander, estrategista político e de comunicações, a polêmica em torno do fim de semana de golfe de Obama é exagerada, já que o presidente estava "de férias" e "qualquer pessoa que trabalhe tão duro como ele merece ter tempo livre" para estar sozinho e relaxar, tarefa difícil quando se está rodeado de repórteres e câmeras. Carolyn Dudek, professora de Ciências Políticas da Universidade Hofstra, em Nova York, acredita que a divulgação de imagens do líder jogando ao golfe com Woods em um complexo exclusivo poderia ser negativa. A professora disse à Agência Efe que a publicação das imagens teria sido usada para "criticar o presidente por não estar focado" na busca de uma solução aos cortes automáticos de despesas que entrarão em vigor em 1º de março se um acordo orçamentário não for alcançado no Congresso. Obama deu "muitas entrevistas" à imprensa desde que chegou na Casa Branca em 2009, segundo Carolyn, mas ele se sente "mais cômodo" em uma conversa ou fazendo um discurso, porque "é muito pensativo" e os formatos de perguntas rápidas "não são seu forte". O porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, rejeitou nesta semana as críticas sobre a falta de acesso ao presidente e disse que Obama ofereceu até o momento 35 entrevistas coletivas sozinho, contra as 19 de Bush, seu antecessor. Martha Kumar, analista política da Towson University, afirmou ao portal "Politico" que as oportunidades da imprensa para entrevistar Obama após uma sessão de fotos ou um comparecimento foram muito menores do que no primeiro mandato de Bush (107 contra 355). A Casa Branca conta hoje com um amplo leque de novas tecnologias e com as redes sociais para divulgar suas políticas, e o governo de Obama frequentemente se orgulha de ser "o mais transparente" da história. No entanto, essa transparência "só vai até certo ponto", disse à "Fox News" Rick Blum, diretor da Sunshine in Government Initiative, uma coalizão de grupos midiáticos que defende a abertura dos governos. Segundo sua opinião, para demonstrar transparência "também é preciso responder as perguntas difíceis dos jornalistas". EFE mb/dk















