França busca ação "firme e proporcional" contra o regime sírio
Internacional|Do R7
Paris, 2 set (EFE).- O primeiro-ministro francês, Jean-Marc Ayrault, afirmou nesta segunda-feira que a França mantém sua intenção de "castigar" o regime sírio por ter usado armas químicas contra sua população com uma ação "firme e proporcional", realizada "por uma coalizão internacional". "A França está determinada a castigar o uso de armas químicas por parte de Bashar al Assad e a dissuadi-lo de usá-las novamente com uma ação firme e proporcional", declarou o chefe de governo. Ayrault fez esta declaração após ter recebido os principais líderes parlamentares do país para informar-lhes das evidências dos serviços secretos franceses sobre a responsabilidade do regime de Damasco no ataque químico do último dia 21 de agosto nos arredores da capital síria. O primeiro-ministro indicou que o ataque à Síria "não perseguirá nem acabar com o regime nem libertar" o país, porque "a França está convencida que a saída só pode ser política". "O objetivo é que Bashar não volte a usar armas químicas contra seu povo e enviar uma mensagem aos que queiram imitá-lo no futuro. É importante para nossa própria segurança em um contexto no qual as armas de destruição em massa constituem um grande desafio grande no Oriente Médio e em outras regiões", acrescentou. Em sua reunião com os líderes parlamentares, Ayrault mostrou documentos oficiais que, segundo os serviços secretos franceses, provam que o regime usou armas químicas pelo menos em três ocasiões contra a oposição desde o último mês de abril. A última delas no dia 21 de agosto em um bairro dos arredores de Damasco, um ato que Ayrault considerou "irreparável" e pelo qual, segundo ele, os inspetores da ONU também acusarão o regime de Assad. "Este ato não pode ficar sem resposta", disse o primeiro- ministro que, no entanto, ressaltou que a França não atuará isolada, motivo pelo qual o presidente, François Hollande, "segue tentando formar uma coalizão" para "respeitar o direito internacional". As provas proporcionadas pelo governo francês, várias delas publicadas em seu site, não convenceram os líderes parlamentares da oposição, que exigiram que a ação contra Assad não seja feita sem o respaldo dos deputados. Para isso, pediram que se organize uma votação após o plenário extraordinário no qual na próxima quarta-feira o Executivo explicará à Assembleia a situação na Síria. A Constituição francesa possibilita ao presidente lançar um ataque militar sem recorrer às câmaras, mas no passado este tipo de respaldo foi solicitado por diferentes governos. Ayrault salientou que não haverá votação na próxima quarta-feira na Assembleia Nacional, porque a questão do ataque não será colocada até que não haja uma posição internacional. Nesse momento, indicou o primeiro-ministro, será Hollande quem decidirá se procura o respaldo parlamentar para lançar o ataque. O porta-voz do principal grupo da oposição, a conservadora UMP, Christian Jacob, assegurou que a França "sempre afrontou ataques internacionais com o respaldo da ONU", e, por isso, considerou "imprescindível" que os deputados deem seu apoio a uma ação que não tem o aval das Nações Unidas. Segundo os serviços secretos franceses, o ataque é imputável ao regime porque a oposição carece "da capacidade de dirigir uma ação de tal amplitude com agentes químicos". A espionagem francesa considera que o regime "temia um ataque grande" em Damasco, motivo pelo qual lançou esta ação dissuasória para evitá-lo. Posteriormente ao ataque, indica a nota dos serviços secretos franceses, o regime multiplicou os bombardeios na região para atrasar a chegada dos inspetores da ONU. A ação do último dia 21 foi a terceira com armas químicas detectada pelos serviços franceses por parte do regime sírio desde abril. As outras duas ocorreram em meados de abril na cidade de Khobar e no final desse mesmo mês em Saraqeb. A França garante contar com análise químicas e médicos de pessoas afetadas que lhe permitem deduzir o uso de diversos elementos químicos. EFE lmpg/rsd











