Frase ameaçadora contra filha de promotor morto causa polêmica na Itália
Internacional|Do R7
(Corrige título) Roma, 16 jul (EFE).- O presidente da Sicília, Rosario Crocetta, protagonizou nesta quinta-feira uma polêmica após a divulgação de uma conversa na qual seu interlocutor diz que Lucia Borsellino, filha do promotor assassinado pela máfia em 1992, "deve ser eliminada como seu pai". Trata-se de uma conversa telefônica interceptada há meses e na qual Crocetta fala com o médico Matteo Tutino, que disse que Lucia Borsellino "devia ser eliminada como seu pai", o promotor antimáfia Paolo Borsellino, assassinado pela Cosa Nostra em 1992. O que suscitou a polêmica é o fato do presidente siciliano não expressar ao médico seu desacordo com dita afirmação. Crocetta, no cargo desde 2010 pelo Partido Democrata (PD, no governo), assegurou em declarações aos meios de comunicação que não escutou esta frase no momento no qual seu interlocutor a pronunciava. "Não escutei a frase sobre Lucia, talvez não havia cobertura, não sei explicar. Por isso não respondo. Agora me sinto mal. O que está sucedendo ocorrendo é a coisa mais terrível da minha vida", disse. No entanto, segundo a agência "Ansa", Crocetta anunciou hoje sua intenção de apresentar "imediatamente" seu "suspensão" como presidente da ilha, à espera de que sejam esclarecidos os fatos. O ministro do Interior, Angelino Alfano, ligou para Lucia Borsellino para mostrar sua "indignação, afetuosa proximidade e solidariedade por essas palavras que pesam de modo gravíssimo sobre a consciência de quem as pronunciou", informou em comunicado. O secretário de Estado de Educação, Davide Faraone, postou uma mensagem em seu perfil do Twitter. "Inevitável a renúncia de Crocetta e a convocação de novas eleições. Essas palavras (...) são uma vergonha inaceitável". Borsellino, junto ao juiz Giovanni Falcone, assassinado pela máfia o mesmo ano, é um dos símbolos da luta contra a criminalidade organizada no país. Sua filha renunciou recentemente como conselheira de Saúde no governo de Crocetta. "Não posso fazer outra coisa do que me sentir intimamente ofendida e experimentar um sentimento de vergonha por eles", assegurou Lucia Borsellino em declarações recolhidas pela imprensa. A conversa completa entre Crocetta e Tutino será publicada na sexta-feira pelo "L'Espresso". EFE gsm/ff








