Fuga de senador foi "transgressão", diz governo boliviano
A Bolívia espera um comunicado do governo brasileiro sobre a fuga do senador Roger Pinto, considerado um "foragido"
Internacional|Do R7, com agências internacionais

O governo da Bolívia entregou nesta segunda-feira (26) uma nota diplomática à embaixada do Brasil na qual expressa sua "profunda preocupação" com o que chamou de "transgressão do princípio de reciprocidade e cortesia internacional" devido à fuga do senador opositor Roger Pinto para Brasília.
O chanceler boliviano, David Choquehuanca, informou à imprensa que a nota foi entregue hoje a um representante da Embaixada brasileira, onde Pinto esteve asilado por quase 15 meses sem que o governo boliviano lhe desse um salvo-conduto para sair do país rumo ao Brasil.
"Nessa nota diplomática, nós expressamos nossa profunda preocupação com a transgressão do princípio de reciprocidade e cortesia internacional. Por nenhum motivo podia o senhor Pinto abandonar o país sem o salvo-conduto", disse o ministro das Relações Exteriores.
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Com esse ato, o Brasil "violou os mecanismos de cooperação que existem entre os Estados estabelecidos na Convenção Interamericana da Organização de Estados Americanos e na Convenção das Nações Unidas", acrescentou.
O governo da Bolívia está investigando a forma como o senador da oposição chegou ao Brasil no domingo (25), informou o ministro do Governo, Carlos Romero.
"Pedimos a revisão das imagens das câmeras de segurança nas cabines de pedágio e os relatórios dos pontos de controle", comentou Romero à emissora Unitel.
Romero não mencionou na entrevista as declarações do diplomata brasileiro em La Paz, Eduardo Saboia, que admitiu nesta segunda-feira ter ajudado Pinto a fugir para o Brasil, que havia concedido asilo diplomático a ele.
No entanto, as autoridades bolivianas estão convencidas de que Pinto teria fugido em um veículo oficial da embaixada brasileira.
— Um veículo diplomático não pode ser revistado em nenhum pedágio. Faz parte da jurisdição soberana do país em questão, no caso o Brasil.
A Bolívia espera um comunicado oficial do governo brasileiro detalhando a fuga do opositor, considerado um "foragido".
Romero também informou que o governo pediu informações para a polícia local responsável pela segurança externa da Embaixada do Brasil, em conformidade com as convenções internacionais.
— A polícia monitora apenas externamente, o anel externo. [Por isso, a polícia local] não tem nada a ver com os movimentos que ocorrem no interior [da embaixada].
Horas antes, a ministra da Comunicação, Amanda Davila, não descartou que o embaixador brasileiro Marcel Biato tenha colaborado com o senador.
— É possível que isso também tenha acontecido.
A investigação deste incidente é de responsabilidade do procurador-geral da Bolívia, que poderá intervir "em nome dos interesses do Estado e da sociedade", já que pesam sobre Pinto acusações de dano econômico ao Estado e corrupção, ressaltou o ministro Carlos Romero.
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