Logo R7.com
RecordPlus

Geração videogame quer "resetar" a Turquia

Internacional|Do R7

  • Google News

Luis Lidón. Istambul, 10 jun (EFE).- Além de protestarem em redes sociais como Facebook e Twitter, os manifestantes antigovernistas na Turquia têm os videogames e a cultural digital como outros pontos em comum. Uma das referências utilizadas é a saga de games "Grand Theft Auto" (GTA), que aborda corrupção e criminalidade, assuntos mencionados agora como crítica contra as autoridades. "Arrumaram encrenca com a geração que perseguia policiais no GTA" foi uma frase que correu as redes sociais depois de aparecer pichada na avenida Istiklal, que leva à Praça Taksim, onde começaram os protestos. Agora, o lema está por todas as partes. Em 2002, o GTA fez um enorme sucesso na Turquia graças a uma adaptação local baseada em uma famosa série turca e, desde então, as sequências do jogo são muito populares. Outra referência muito divulgada nas redes é uma paródia sobre o popular videogame para celulares "Angry Birds", no qual o pássaro protagonista usa uma máscara para se proteger das bombas de gás lacrimogêneo. "O jogo virtual marcou o 'sistema operacional' dessa geração de uma forma única e diferente da de seus pais", explica à Agência Efe Merve Alici, publicitária e ativista pró-direitos civis. Merve ressalta o paradoxo de uma geração em que o gosto pelos videogames parecia um sinal de apatia e tendência apolítica, seja a que tenha organizado as maiores revoltas no país em uma década. Nas redes sociais alguns dos ativistas também utilizam jargões dos videogames, como "passar de fase", ao falar dos preparativos para aliviar os sintomas do gás lacrimogêneo. As garrafas com uma mistura de leite e antiácido são visíveis nos protestos para resistir a esses efeitos. Um diálogo nas redes sobre os protestos é assim: "Destreza +50, resistência ao veneno +30", acrescenta o especialista, como se as soluções ácidas e as máscaras de gás se comparassem "a obtenção de habilidades ou a compra de um novo equipamento" em um jogo. Tudo isso aponta para "uma realidade paralela nos protestos, onde os manifestantes jovens se sentem heróicos e corajosos como os personagens com os quais jogam", opina. "Parece que agem com o espírito de 'desafio ao sistema' e 'luta pelo bem' que aparece em todos os jogos", compara. Ebru, uma professora que acompanhou os protestos desde o início, considera que "a geração nascida nos anos 1990 cresceu com os videogames e essa experiência em comum é um vínculo que reforça seu sentido de pertinência na hora de lutar por mais liberdade". Isso a difere de gerações anteriores, que compartilhavam experiências comuns mais ligadas à cultura da televisão, acrescenta. Segundo uma recente pesquisa da Universidade Bilgi de Istambul, o perfil do manifestante contra o governo é um jovem de entre 19 e 30 anos, sem afiliação política, laico e indignado com o autoritarismo do governo e com a violência policial. A postura de dialogar pouco do primeiro-ministro, Recep Tayyip Erdogan, é o que estimulou a ida para as ruas de 92,4% dos manifestantes, que exigem mais democracia e menos gás lacrimogêneo, segundo o estudo. Outro meio utilizado para se comunicar nos protestos, o Twitter, foi definido por Erdogan como "a maior ameaça para a sociedade", expressão que virou piada nas redes. A polícia deteve 34 pessoas sob a acusação de usar o microblog para "incitar à revolta". EFE ll-iut/tr/id

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.