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Ghaleb Kaene Cachalia, o amigo que sabe detalhes da vida de Mandela

Filho de ex-ativista de origem indiana, Ghaleb cresceu em um ambiente politizado no país

Internacional|Do R7

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Mandela morreu no último dia 5 de dezembro, aos 95 anos
Mandela morreu no último dia 5 de dezembro, aos 95 anos

Corriam os primeiros anos da década de 90, Nelson Mandela acabava de sair da prisão e viajava em um carro dirigido por Ghaleb Kaene Cachalia, filho de Amina Cachalia, ex-ativista de origem indiana e amiga íntima daquele que se transformaria no primeiro presidente negro da África do Sul. "Que coisa, Kaene... Agora os homens usam perfume!", disse um Mandela recém libertado a Ghaleb, que recordou o fato em uma conversa com à Agência Efe em um shopping de Johanesburgo.

Nascido em 1956, ano do julgamento por traição no qual Mandela e 155 de companheiros seus foram acusados, Ghaleb Kaene Yusuf Cachalia cresceu em um ambiente muito politizado na África do Sul do regime racista do apartheid, que seus pais, Yusuf e Amina, combatiam. As figuras de mais destaque na luta contra segregação, como Mandela, conspiravam, debatiam, comiam e dançavam ao redor do pequeno Ghaleb (significa "vitória" em árabe) e de sua irmã Coco, sem que eles tivessem consciência do que acontecia.


— Para mim, Mandela era mais um no meio de todo mundo.

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Ele recebeu seu segundo nome (Kaene) de um dos pesos pesados da resistência contra o apartheid, e que foi durante quase 40 anos secretário-geral do Partido Comunista sul-africano, Moses Kotane. Em 1962, Madiba foi preso e de lá, com frequência, escrevia para Amina Cachalia. Ghaleb deixou de ver Mandela, mas começou a entender a relevância de um gigante político que não parava de crescer na prisão. Ele só voltaria a se encontrar com Mandela em 11 de fevereiro de 1990, quando este saiu da prisão Victor Verster na Cidade do Cabo, no sudoeste da África do Sul.

— A primeira lembrança concreta que tenho de Nelson Mandela é do dia da libertação.


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Ele viajou para Cidade do Cabo acompanhando uma equipe da televisão indiana que entrou em contato para que ele fosse guia na África do Sul nesses dias históricos. Após sair da prisão, o comboio no qual viajava Nelson Mandela fez uma parada na casa do arcebispo Desmond Tutu, onde estavam, entre outros, Ghaleb e sua mãe.


"Oh, meu filho, como você está grande!", disse Mandela a Ghaleb, que pediu para dar sua primeira entrevista em liberdade para a televisão indiana, já que foi Nova Délhi a primeira capital do mundo a boicotar o governo racista de Pretória. "E assim ele fez", disse Ghaleb, muito satisfeito.

Com Mandela livre e candidato à presidência, Ghaleb voltou a participar de reuniões com aquele que já havia se tornado um dos homens mais famosos e admirados do mundo, mas agora plenamente consciente de sua importância. "Era 'um tio presente'", destacou Ghaleb. Assim como era antes da prisão, Mandela voltou a ser presença frequente na casa de Yusuf e Amina Cachalia.

"Ele adorava o 'biryani' (uma espécie de pilaf, prato de arroz, típico da Índia) que minha mãe fazia", relatou Ghaleb, que define este prato como "uma espécie de paella indiana". "Ele bebia em cada refeição um copo de vinho branco doce, sempre um só", recordou ele, que estudou na Suazilândia com duas filhas de Mandela, e que atualmente trabalha como consultor de empresas estrangeiras que querem entrar no mercado africano.

A relação de Madiba com os Cachalia podia ter ido além se o líder sul-africano tivesse conseguido um 'sim' da mãe de Ghaleb depois que ela ficou viúva de Yusuf, em 1995.

— Antes de Mandela se casar com Graça Machel em 1998, ele pediu a minha mãe em casamento. Minha mãe chamou minha irmã e eu para nos contar. Perguntamos que ela tinha respondido, e ela disse que falou 'não.

Às gargalhadas, ele finalizou: "Ela disse que tinha acabado de enterrar nosso pai e que não queria outro homem, que não queria ninguém dizendo o que ela tinha que fazer".

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