Governo colombiano avalia cessar-fogo das Farc, mas não aceita verificação
Internacional|Do R7
Bogotá, 18 dez (EFE).- O Governo da Colômbia avaliou nesta quinta-feira positivamente o anúncio do cessar-fogo unilateral indefinido da guerrilha das Farc, que deve começar no próximo sábado, dia 20, mas disse que não aceita a exigência de verificação desta suspensão de hostilidades. "A exigência de verificação para a cessação unilateral é uma condição que o Governo não aceita", assinalou o Executivo em comunicado, em sua primeira reação ao anúncio feito na véspera pelas Farc em Havana. "Estamos dispostos a iniciar a discussão sobre o tema de verificação para a eventual cessação bilateral e definitiva quando começar formalmente a discussão do ponto 3 do 'Ffim do conflito'", disse o Governo As Farc anunciaram ontem em Havana, no encerramento do último ciclo do ano das negociações de paz, o cessar-fogo unilateral indefinido "que deve se transformar em armistício", e advertiram que "ele seria terminado" somente no caso de se constatar que as "estruturas guerrilheiras foram objeto de ataques por parte da Polícia". Igualmente, as Farc pediram para contar com a supervisão da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) e da ONG Frente Ampla pela Paz. No comunicado divulgado pela Presidência, o Governo deixa "muito claro", que "continuará cumprindo com seu dever constitucional indeclinável de garantir e proteger os direitos dos colombianos". As Farc insistem na necessidade de declarar um cessar-fogo bilateral durante as negociações, algo que foi rejeitado taxativamente pelo presidente colombiano, Juan Manuel Santos, com o argumento de que a guerrilha pode aproveitar esta circunstância para tirar vantagem militar, como ocorreu em outros processos. "O país não pode nem quer repetir experiências do passado, nas quais anúncios de cessar-fogo só foram cumpridos parcialmente. Toda atividade armada e toda ameaça contra a população civil deve cessar", assinalou o comunicado. O Governo acrescentou que "avalia em toda sua dimensão" a decisão do cessar-fogo unilateral, que considerou "que está na direção certa" e disse que "avaliará o cumprimento desta decisão por parte das Farc". Ao mesmo tempo, recomendou que a este primeiro passo "devem se somar, o mais breve possível, as medidas de redução gradual que estão sendo discutidas em Havana". Nos últimos meses, durante a discussão do ponto de vítimas, as partes falaram da possibilidade de reduzir a intensidade do conflito armado, o que chamaram de "redução gradual", como uma maneira de mostrar à sociedade avanços tangíveis do processo iniciado há dois anos na capital cubana. EFE joc/ma








