Hugo Chávez, de Barinas a Miraflores
Internacional|Do R7
Hugo Chávez, que morreu esta terça-feira aos 58 anos, foi um tenente-coronel venezuelano que após fracassar em uma tentativa de golpe de Estado em 1992, foi eleito e reeleito presidente, mantendo-se no poder por 14 anos.
Durante este período, ele implantou um modelo socialista na Venezuela, inspirado no comunismo cubano e baseado na redistribuição da renda petroleira em benefício dos mais pobres.
Ganhador de todas as batalhas eleitorais em que participou como candidato, Chávez, nascido em Sabaneta (Barinas, oeste) em 28 de julho de 1954, morreu pouco antes de assumir um novo mandato presidencial, após ser reeleito nas eleições de 7 de outubro, com 55% dos votos frente ao candidato opositor Henrique Capriles Radonski.
Carismático, hiperativo, com forte ligação com as classes menos favorecidas, cristão fervoroso e admirador do libertador Simón Bolívar, Chávez colheu altas taxas de popularidade durante sua presidência, com frequência superiores a 50%.
"Não sou imortal", admitiu em 2012 este militar da reserva que em 4 de fevereiro de 1992 liderou um golpe de Estado fracassado contra o desprestigiado presidente Carlos Andrés Pérez.
Quando o golpe fracassou e Chávez foi detido, ele chamou a atenção do mundo com uma mensagem de pouco mais de um minuto em que disse a célebre frase que o catapultaria para a presidência quase sete anos depois.
"Infelizmente, por enquanto, os objetivos que traçamos não foram alcançados", admitiu diante das câmeras de televisão, dando uma breve antecipação do fato político e do talento de comunicador que o caracterizava.
Foi eleito em 1998, ratificado em 2000 após a mudança da Constituição, revalidado no referendo revogatório de 2004, reeleito em 2006 e uma vez mais em 2012.
Ele promoveu a estatização das indústrias básicas e o controle majoritário do Estado na atividade petroleira, a maior indústria do país, que detém as maiores reservas de petróleo do planeta.
Seu governo impulsionou, ainda, "missões sociais" para dar saúde e educação aos setores mais deprimidos.
Crítico ferrenho dos Estados Unidos, embora nunca tenha deixado de vender petróleo para aquele país, Chávez estabeleceu uma aliança estratégica com Cuba e encontrou em Fidel Castro seu principal conselheiro.
Chávez forjou estreitas alianças com o Brasil de Lula e Dilma e a Argentina do casal Kirchner. Após romper com a Comunidade Andina pelos acordos de livre comércio com os Estados Unidos, a Venezuela integrou o Mercosul.
Conquistou o sonho de criar a Comunidade de Estados Latino-americanos e do Caribe (CELAC), um âmbito de coordenação política e cooperação regional sem Estados Unidos e Canadá.
Aliado de China, Rússia, Belarus, Síria e Irã, Chávez foi um dos poucos a defender o falecido líder líbio Muamar Kadhafi quando se acirravam as revoltas e a intervenção estrangeira contra ele, assim como o líder sírio Bashar al Assad.
Criado pela avó paterna, Chávez, divorciado duas vezes, Chávez deixou quatro filhos, Rosa Virginia (34 anos), María Gabriela (32), Hugo Rafael (29) e Rosinés (15) e três netos.
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