Ig Nobel premia estudos sobre assoar nariz, respingos de xixi e qualidades do leite de barata
Cientistas brasileiros que pesquisaram picadas de cobras em seres humanos também estão entre os contemplados
Internacional|Do R7
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A 36ª edição do Prêmio Ig Nobel, realizada em Zurique (Suíça) nesta quinta-feira (3), chamou a atenção para dez estudos científicos que, apesar de parecerem absurdos à primeira vista, carregam inesperada relevância.
Criado como uma paródia ao Prêmio Nobel e organizado pela revista Annals of Improbable Research (em português: “Anais da Pesquisa Improvável”), o evento celebra trabalhos irreverentes que são capazes de fazer rir e pensar, nem sempre nessa ordem.
Entre os vencedores de 2026, o Brasil esteve bem representado e foi premiado por uma pesquisa em biologia que tentou entender em que parte do corpo de uma jararaca o ser humano precisa pisar para levar uma picada.
Para isso, os cientistas João Miguel Alves Nunes, Adriano Fellone, Selma Maria Almeida Santos, Carlos Roberto de Medeiros, Ivan Sazima e Otavio Augusto Vuolo Marques pisaram levemente em várias cobras da espécie por mais de 40 mil vezes.
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Entre os outros contemplados, estudo de física analisou como projetar mictórios capazes de evitar respingos, enquanto outro, na área de medicina, investigou a aerodinâmica de assoar o nariz.
Já na tecnologia, pesquisadores desenvolveram um método que utiliza probóscides de mosquitos como bicos de impressão 3D, batizado de “necroimpressão”.
Na química, o destaque foi para uma pesquisa que concluiu que o leite de barata possui três vezes mais energia que o leite de vaca.
A economia também foi premiada por meio dos cientistas que identificaram que pessoas de classe alta têm maior probabilidade de pegar doces destinados a crianças e adotar condutas antiéticas.
Outros estudos premiados incluíram a análise da história evolutiva do beijo e até a criação de modelos tridimensionais de mosquitos.
Pesquisadores ressaltaram que, apesar do caráter humorístico, o prêmio valoriza a curiosidade científica de verdade.
“A aquisição de conhecimento nunca é uma atividade frívola, por mais bobo que o tema possa parecer”, afirmou Carly Anne York, professora de biologia da Universidade Lenoir-Rhyne.
O Ig Nobel, que já premiou desde experimentos com rãs anestesiadas até estudos sobre o efeito da música no queijo, é importante para mostrar que a ciência pode ser divertida e, ao mesmo tempo, abrir caminhos para descobertas relevantes.
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