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Incêndio em boate argentina completa 10 anos e famílias ainda pedem justiça

Internacional|Do R7

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Buenos Aires, 29 dez (EFE).- A ponto de completar uma década do incêndio na boate Cromagnon de Buenos Aires, que deixou 194 mortos, familiares das vítimas e sobreviventes ainda pedem por justiça contra os responsáveis pelo clube, que não respeitava as medidas de segurança. A tragédia aconteceu no dia 30 de dezembro de 2014 no popular bairro de Once, onde cerca de seis mil pessoas se concentravam na casa noturna República de Cromagnon, de capacidade máxima para quatro mil pessoas, para ver o show da banda de rock Callejeros. Por volta da meia-noite, um rojão ateou fogo ao teto da boate e provocou o caos entre os presentes, que ao tentarem escapar da fumaça e das chamas encontraram as portas de emergência bloqueadas. "Naquela noite estava muito contente, era fim de ano, nos íamos nos divertir. Eu estava muito longe da porta. Com o incêndio fui para trás, corri em direção à entrada principal, caí e senti gente caindo em cima de mim, foi quando perdi a consciência (...). até hoje não sei quem me salvou, e nem vou saber", disse à Agência Efe Belkyss Contino, de 22 anos, sobrevivente do incêndio. No total houve 700 feridos e 194 mortos, em sua maioria jovens, inclusive crianças, em consequência de esmagamentos e de asfixia pela fumaça. Dez anos depois, as famílias e sobreviventes da tragédia de Cromagnon, uma das piores sofridas pela Argentina em sua história recente, continuam reivindicando justiça. "Há impunidade. Ainda falta que se faça justiça", comentou à Efe Rosa María David, mãe de Mariano e Verónica, que morreram naquele 30 de dezembro de 2004 aos 31 e 25 anos, respectivamente. As vítimas apontam como principal culpado o administrador da boate, Omar Chabán, que morreu no último mês de novembro de câncer, embora considerem que as acusações aplicadas na maioria dos casos tenham sido pouco severas. "O fato de estarem presos e condenados por 'dano culposo' também é uma injustiça, porque o que houve foi 'dolo eventual' e 'homicídio'. Receberam a condenação mais baixa. Isso é uma injustiça", declarou à Efe Nilda Gómez, mãe de Mariano, morto no incêndio aos 20 anos. Chabán, que em 2013 recebeu direito a prisão domiciliar devido a sua doença, tinha sido detido em 2012 para cumprir uma pena de 10 anos, depois da desconsideração de vários recursos judiciais. Juntas à do administrador, ficaram fixadas definitivamente as penas de até sete anos de prisão para seu braço direito, Raúl Alcides Villareal, e todos os membros da banda Callejeros, embora a justiça tenha concedido liberdade aos músicos este ano. Também houve penas de prisão para um subcomissário da polícia, vários funcionários do governo de Buenos Aires e para o dono da boate, Rafael Levy, preso no início de dezembro. Contudo, familiares das vítimas e sobreviventes também apontam como responsável o então prefeito de Buenos Aires, Aníbal Ibarra, que pela tragédia foi acusado de má administração. "Ainda falta que se faça justiça com a questão de Ibarra, que disse que não ia acontecer nada dois dias antes, que tudo estava sob controle", especificou Rosa María David. Vítimas e famílias denunciam a falta de inspeção nos estabelecimentos que recebiam licença municipal e inclusive acusam a cúpula política de corrupção na hora de vistoriar as capacidades para eventos como o show do Callejeros. "Quando pedimos que não se repitam mais 'cromaganones', falamos de qualquer morte, qualquer injustiça provocada por corrupção e sobretudo por deficiência", expressou Contino, que hoje luta junto a outras vítimas para conscientizar sobre a necessidade de maiores medidas de segurança nas casas noturnas. Vários eventos lembrarão o décimo aniversário da tragédia, entre eles uma exposição fotográfica. Mas a grande mobilização acontecerá na Plaza de Mayo, onde está a sede do Executivo, com uma manifestação na qual o público "dará as costas" à sede de governo. Além disso, será aberto um espaço para pedestres junto ao lugar onde estava a boate, que também lembrará que quase metade dos mortos perdeu a vida enquanto tentava resgatar outras vítimas. "Morreram mostrando aos adultos, que olhavam pasmos, como se deve agir. Entraram e tiraram gente enquanto a polícia olhava, enquanto os bombeiros olhavam porque não tinham sequer uma lanterna para poder entrar, e enquanto o chefe de governo dizia de braços cruzados que estava tudo sob controle", concluiu Gómez. EFE ngp/cs/rsd (vídeo)

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